Sempre tive pavor de birras em público! Considero-me uma pessoa muito rígida em relação à educação dos meus filhos e há determinadas coisas que não tolero! Mas quem tem filhos, sabe como as birras são muitas vezes incontornáveis, quanto mais não seja, porque fazem parte do desenvolvimento das crianças e da resolução dos seus conflitos internos. Quando a minha filha me faz uma birra em público (e as dela não duram muito tempo porque eu trato-lhe logo da saúde), fico mais irritada com o olhar arrogante das pessoas que passam do que com o barulho irritante que a Gigi faz.
Ando sempre que possível com os meus filhos atrás! Chamem-me o que quiserem. Não sei bem se sou uma mãe galinha, coruja ou leoa, muito provavelmente, sou uma mistura dos três! Quando me desloco a algum sítio com eles, tenho sempre o cuidado de planear muito bem a saída. Coisas como: onde vou estacionar, como me vou deslocar do carro até ao local, se há espaço para os carrinhos de bebé, se é preciso levar cadeirinhas ou brinquedos para se entreterem, etc. Nunca deixei de ir jantar ou almoçar fora por causa deles mas tenho obviamente o cuidado de escolher um restaurante onde seja próprio ir com crianças. Uma vez num restaurante um homem quase se pegou à pancada com o pai de uma criança que estava a fazer uma birra terrível. As pessoas têm de ser minimamente sensatas! Um pai não pode permitir a birra, mas os outros também têm de ser mais compreensivos! Não têm filhos??? E se ficam muito incomodados, tentem vocês acalmá-los! E depois é preso por ter cão e preso por não ter! A primeira vez que a Gigi me fez uma birra em público foi no Cascaishopping. Devia ter pouco mais de um ano e meio. Começou aos gritos e a espernear (mesmo como eu gosto!). As pessoas não só olhavam com olhar reprovador - Que raio de mãe que permite uma coisa destas e não sabe educar a filha! - como ainda fizeram uma roda à nossa volta. Como não consegui controlar o bicho, dei-lhe uma velente palmada por cima da fralda! Pronto! O que fui eu fazer! Achei que alguns iam chamar a polícia e acusar-me de espancar a pobre criança! Por isso uma mãe é condenada por não educar a filha e logo a seguir, é condenada por tentar fazê-lo. E não me venham com a conversa das palmadas! Toda a vida se levou palmadas e ninguém morreu! E eu sou daquelas mães horrorosas que acha que uma palmada na hora certa é o remédio para muita coisa! Na mão ou no rabo e com a força moderada obviamente.
Lembro-me aqui há uns anos de ter uma valente discussão com uma amiga por causa dos hotéis que proibem a entrada de crianças. Eu era a favor e ela contra. E continuo a favor! Há milhões de hotéis onde se pode levar crianças! Não tenho de escolher precisamente os que não pode para ir passar férias em família! Até porque, apesar de ter filhos, há alturas em que me apetece estar sozinha com o marido e não ouvir birras nem apitos de brinquedos irritantes!
Mas não me venham com tretas de que os pais que levam as crianças ao restaurante ou no avião são uns egoístas porque não deixam as outras pessoas relaxar! Para as pessoas que pensam assim, mais vale escolher os tais restaurantes e hotéis que não aceitam crianças e o problema fica resolvido! Sempre ouvi dizer que quem não gosta de crianças e de animais não pode ser boa pessoa e concordo perfeitamente. Até porque, quando uma criança faz uma birra, tenho a certeza que os pais ficam mais incomodados dos que os outros só por pensarem que estão a incomodar alguém.
Por isso não vou deixar de fazer o que quer que seja por causa dos meus filhos e vou continuar a ir com eles para todo o lado! Quem me condenar por isso, tem dois óptimos remédios: é ficar chateado e deixar de ficar!
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