Epá... Ando nervosa com os acontecimentos que têm dominado a actualidade deste nosso Portugal! Dá-me pele de galinha esta mania que as classes profissionais têm de se fechar em concha cada vez que algum cólega é acusado de alguma coisa! As pessoas têm de meter nas cabeças que boas e más pessoas há em todo o lado, em todas as profissões, raças e credos! E não é por haver um mau profissional que a classe vai toda pelo cano abaixo. Sejam eles polícias, enfermeiros, padeiros ou educadores!
Então vamos por partes...
Em relação à história do polícia que bateu na jornalista, não tomo partidos! Acho que não nos podemos guiar por uma fotografia. Uma imagem sem palavras, sem som, sem antes e depois. Não sabemos se o polícia é uma besta que resolveu dar uma bastonada à rapariga para ela sair da frente, não sabemos se o polícia estava a tentar bater no gajo que a está a agarrar porque este estava a atirar cadeiras pelo ar, não sabemos nada! O que sabemos é que houve um pequeno grupo de anarquistas que resolveram começar a atirar cadeiras pelo ar (coitado do Arrumadinho que ficou com a esplanada da Benard destruída), pratos, copos, ovos... O caos instalou-se e a polícia de choque é para isso mesmo! Para meter a ordem quando é necessário. Se os animaizinhos deitam cadeiras pelo ar e se comportam como animaizinhos, então têm de ser domados como animaizinhos e por isso, uma bastonada no lombo não me parece nada de especial! Tenho pena da jornalista, claro que tenho! Mas daí a dizer que ela é uma selvagem ou que o polícia é que é uma besta, ainda vai um bom pedaço.
E para ser ainda mais radical e venham de lá os anónimos insultarem-me de fascista, capitalista, nazi, salazarista que é para o lado que eu durmo melhor, a minha opinião mesmo é a seguinte: Se tivessem ido trabalhar como eu fui, em vez de irem para o Chiado passear, ninguém tinha levado uma paulada na cabeça! (não a jornalista claro! Essa estava a trabalhar...)
- Ai... Mas nós somos desgraçadinhos... E a crise... E a classe política... Ai... Ai...
Pois... Não tivessem votado duas vezes naquele cretino e não estávamos onde estamos! Eu também estou a levar com a crise, também passei a manhã a lavar e a esfregar em vez de ter dinheiro para pagar a uma sopeira e hoje ter ido almoçar a Óbidos, e não é por isso que fui para o Chiado chorar. É a trabalhar que levantamos esta merda!
E agora em relação à gigantesca polémica que se anda a abater sobre a pobre educadorazinha que canta batata frita e viva o benfica às crianças e à besta do pai que é fanático e fez queixa e o catano... Esta situação ainda me chamou mais a atenção porque eu incluo-me nas três classes! A de educadora, a de mãe e a de portista! Confesso que quando li a notícia, achei um exagero o pai ter feito queixa ao Ministério da Educação. Apesar de portista, acho que também não era preciso tanto... Até ter conhecido melhor a história! (Vejam no fim do texto)
Afinal a educadora é uma besta! Não por cantar o benfica, mas pela atitude que teve com o pai. E a discussão que eu já tive com várias educadoras que defendem a cólega de olhos fechados, com umas palas nas ventas e nem se interessam se a conduta da senhora foi correcta, ética ou pedagógica! Quando eu era educadora também brincava com os clubes. E também lhes dizia que o Porto é que era o maior, etc. Mas porque essas brincadeiras fazem parte do nosso dia-a-dia, seja em que realidade for. É da nossa cultura! E as crianças vão ser confrontadas com estas clubites até ao fim da vida, na escola, na faculdade, nos empregos, nos cafés! Mas uma coisa é dizer que o Porto ou o benfica ou o União de Leiria são os maiores, outra coisa é fazer lavagens cerebrais às crianças. Outra coisa é uma criança de 4 anos, porque é portista, ser vítima de violência por parte das outras crianças porque a educadora diz que o benfica é que é bom! Outra coisa é a cabra da educadora dizer na sala à frente de todos: Não se canta mais o Pau ao Gato porque o pai da Nicole não deixa! Outra coisa é a gaja dizer ao pai: se não gosta do benfica e da minha música, mude a sua filha de escola! E esta merda é que me deixa fora de mim! Porque estamos a falar de uma escola pública! De uma gaja que anda a tirar lugar a tantas educadoras para passar este tipo de valores às crianças. Seja ela do benfica, do porto ou do raio que a parta! E depois vem uma classe inteira de educadoras de pálas no olhos, chamar javardo ao pai e coitadinha à coleguinha! Porra!
Estou nervosa!
Para quem ainda tiver paciência, deixo a carta com a queixa do pai:
"Assunto: Ocorrência no JI de Santo Isidoro – Agrupamento de Escolas António Bento Franco (Ericeira) Exmo. Senhor, Considerando que a Lei de Bases do Sistema Educativo estabelece um conjunto de princípios gerais, reconhecendo o direito à liberdade de aprender e ensinar, com tolerância para com as escolhas possíveis, não podendo o Estado atribuir-se o direito de programar a educação e a cultura segundo quaisquer diretrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas; Não posso deixar de reportar, enquanto encarregado de educação, uma ocorrência no JI de Santo Isidoro, pertencente ao Agrupamento de Escolas António Bento Franco – Ericeira, solicitando que essa Direção Regional de Educação apure a verdade dos factos e atue, com todos os meios ao seu alcance, no sentido de responsabilizar os intervenientes. Assim, desde o início do presente ano letivo, diária e repetidamente, as crianças do referido estabelecimento de educação, entoam a cantiga popular “atirei o pau ao gato”, adicionando, no final, um slogan clubístico que consiste em “batata frita, viva o Benfica.” Perante isto, e em termos práticos, a minha Educanda, que simpatiza com o Porto, sente-se inibida e acossada, rejeitando até ir à escola pois os colegas, no recreio, chegavam a empurra-la por não ser simpatizante do mesmo clube. Quando tentei explicar as razões pelas quais não se deveria fomentar este tipo de comportamentos num Jardim de Infância, a Sra. Educadora apelidou-me de “fanático” e convidou-me a tirar a minha Educanda daquilo a que chamou a “sua escola,” tendo argumentado que “a maioria é benfiquista”; “a música é assim” e “em todas as escolas em Mafra cantam a música desta forma.” A partir daquele momento, as crianças foram proibidas de cantar a referida cantiga, na sua totalidade, em vez de passarem a cantá-la devidamente. Mais, a Sra. Educadora referiu na sala de atividades que ‘não cantamos porque o pai da Nicole não deixa’Nestes termos, e face à gravidade da ocorrência em si e da forma como a Sra. Educadora e a Direção do Agrupamento de Escolas diligenciaram no sentido, não da sua resolução mas da agudização da mesma, reveladora de um sentimento de impunidade e apropriação de espaço público, solicito a V. Exa. que providencie as diligências necessárias ao apuramento de responsabilidades, a fim de que situações semelhantes não se repitam Sr. Diretor, concordará comigo que se deve promover o desenvolvimento do espírito democrático e pluralista, respeitador dos outros e das suas ideias, aberto ao diálogo e à livre troca de opiniões. O que se pretende quando se promove a intolerância, o desrespeito pelas instituições e pela livre opinião? Estas práticas são um incentivo ao bullying, algo que todos pretendemos abolir dos nossos estabelecimentos de ensino. Insatisfeito com tal argumentação, dirigi-me à sede do Agrupamento de Escolas para, em conjunto com a Direção, marcar uma reunião com os restantes Encarregados de Educação e a Sra. Educadora. Nesta sequência, a Sra. Subdiretora do Agrupamento de Escolas dirigiu-se ao JI de Santo Isidoro para me pressionar a aceitar e calar, fazendo crer de que quem estava mal era eu e, sem sentido ou justificação, foi inclusivamente chamada a Guarda Nacional Republicana (GNR), como forma de intimidação"
"Assunto: Ocorrência no JI de Santo Isidoro – Agrupamento de Escolas António Bento Franco (Ericeira) Exmo. Senhor, Considerando que a Lei de Bases do Sistema Educativo estabelece um conjunto de princípios gerais, reconhecendo o direito à liberdade de aprender e ensinar, com tolerância para com as escolhas possíveis, não podendo o Estado atribuir-se o direito de programar a educação e a cultura segundo quaisquer diretrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas; Não posso deixar de reportar, enquanto encarregado de educação, uma ocorrência no JI de Santo Isidoro, pertencente ao Agrupamento de Escolas António Bento Franco – Ericeira, solicitando que essa Direção Regional de Educação apure a verdade dos factos e atue, com todos os meios ao seu alcance, no sentido de responsabilizar os intervenientes. Assim, desde o início do presente ano letivo, diária e repetidamente, as crianças do referido estabelecimento de educação, entoam a cantiga popular “atirei o pau ao gato”, adicionando, no final, um slogan clubístico que consiste em “batata frita, viva o Benfica.” Perante isto, e em termos práticos, a minha Educanda, que simpatiza com o Porto, sente-se inibida e acossada, rejeitando até ir à escola pois os colegas, no recreio, chegavam a empurra-la por não ser simpatizante do mesmo clube. Quando tentei explicar as razões pelas quais não se deveria fomentar este tipo de comportamentos num Jardim de Infância, a Sra. Educadora apelidou-me de “fanático” e convidou-me a tirar a minha Educanda daquilo a que chamou a “sua escola,” tendo argumentado que “a maioria é benfiquista”; “a música é assim” e “em todas as escolas em Mafra cantam a música desta forma.” A partir daquele momento, as crianças foram proibidas de cantar a referida cantiga, na sua totalidade, em vez de passarem a cantá-la devidamente. Mais, a Sra. Educadora referiu na sala de atividades que ‘não cantamos porque o pai da Nicole não deixa’Nestes termos, e face à gravidade da ocorrência em si e da forma como a Sra. Educadora e a Direção do Agrupamento de Escolas diligenciaram no sentido, não da sua resolução mas da agudização da mesma, reveladora de um sentimento de impunidade e apropriação de espaço público, solicito a V. Exa. que providencie as diligências necessárias ao apuramento de responsabilidades, a fim de que situações semelhantes não se repitam Sr. Diretor, concordará comigo que se deve promover o desenvolvimento do espírito democrático e pluralista, respeitador dos outros e das suas ideias, aberto ao diálogo e à livre troca de opiniões. O que se pretende quando se promove a intolerância, o desrespeito pelas instituições e pela livre opinião? Estas práticas são um incentivo ao bullying, algo que todos pretendemos abolir dos nossos estabelecimentos de ensino. Insatisfeito com tal argumentação, dirigi-me à sede do Agrupamento de Escolas para, em conjunto com a Direção, marcar uma reunião com os restantes Encarregados de Educação e a Sra. Educadora. Nesta sequência, a Sra. Subdiretora do Agrupamento de Escolas dirigiu-se ao JI de Santo Isidoro para me pressionar a aceitar e calar, fazendo crer de que quem estava mal era eu e, sem sentido ou justificação, foi inclusivamente chamada a Guarda Nacional Republicana (GNR), como forma de intimidação"




