Foram já muitas as pessoas que me questionaram sobre o assunto!
Durante toda a vida, quando imaginamos a chegada do nosso primeiro filho, nunca pensamos que vamos estar deitadas numa marquesa com a barriga a berta para ele sair. Imaginamo-nos antes naquela cena clássica dos filmes e novelas, com a mãe a transpirar e a gritar enquanto o marido a segura nas costas e o médico diz: Faça força! É então que o bebé sai e, no meio do seu primeiro choro, todo sujo de sangue vem para o peito da sua mãe.
Também foi assim que sempre sonhei e me imaginei quando o meu primeiro filho nascesse. Tenho as ancas e bacia largas e, desde pequenina, o meu médico sempre me disse que eu ia ser uma excelente parideira. Facto é que, entrei em trabalho de parto e... nada! Não fiz nem um milimetro de dilatação. Lembro-me de, na altura, o CTG acusar o valor 106 nas contracções mais fortes e de pensar: Uauuuu! Isto é mesmo fácil! As mulheres são mesmo piegas! E o que é que são aqueles gritos dos partos na TV?... Isto não é nada assim!
Certo é que, com a evolução da coisa, deixei de achar piada... (como todas vocês, concerteza) As contracções já não estavam no 106, mas andavam entre o 60 e o 80 e aí comecei a perceber o que eram as dores do parto! Do não sentir nada, passei às dores insuportáveis que me subiam pelo corpo acima e se apoderavam do meu corpo e da minha mente... Não suportava sequer que falassem comigo, quanto mais que me tocassem... No meio de tudo isto, as enfermeiras entravam para me fazer o toque de meia em meia hora e nada... Nem 1mm... Epidural? Não sei o que isso é! Como não tinha dilatação, não ma podiam administrar! Cada vez que alguma enfermeira entrava no quarto para me fazer o toque, eu já chorava... Já não suportava que me tocassem... Estava dorida e cansada e não via progressos... Até que o médico teve uma "excelente" ideia... Mandou o Luís e a minha mãe saírem do quarto e tentou dar uma "ajuda" no processo abrindo-me o útero à força e a SANGUE FRIO... Para depois rebentar as águas. Parece que este pequeno mimo ajudava a dilatação... Durante meses não fui capaz de falar sobre o que aconteceu naquele quarto naquele momento... Só de me lembrar, as lágrimas corriam-me pela cara... A minha mãe e o Luís, que esperavam na sala de espera ouviram as minha dores horrorizados...
Depois de todo este processo, o médico lá resolveu levar-me para o bloco para cesariana: "Não a vamos fazer sofrer mais, vamos fazer cesariana!"
A epidural foi, naquele momento, o melhor presente que me deram na vida! A sensação de alívio, de descanço, de tréguas... Pude então assistir ao nascimento da minha filha com calma, serena e feliz!
Não estou a dizer que sofri mais do que outras mães ou que a minha história de parto é mais dolorosa que outras, mas é a minha! E naquele dia, eu tomei a decisão de nunca mais tentar ter um parto normal. Esta é a primeira vez que falo sobre isto com tanto pormenor... Passados dois anos... Quando fui tirar os pontos, disse ao meu médico: Sr Dr, o próximo é com cesariana marcada! Não volto a passar pelo que passei!
O médico confessou que as maldades podiam ter sido evitadas e pediu-me desculpa!
Só de pensar que, no dia em que o meu filho nascer, eu vou levar para o hospital apenas a ansiedade de o ver e o medo das dores vai ficar em casa, nem consigo acreditar...
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