23/08/2018

Sobre voltar!

Acordámos em casa. Três semanas depois voltámos finalmente ao nosso ninho. Voltámos aos nossos cheiros, aos barulhos da nossa casa. Aos pequenos-almoços na varanda. Às torradas na nossa velha torradeira. Ao nosso sofá.
Não há nada melhor de que sair do nosso espaço. Ver coisas diferentes, conhecer pessoas, sentir algo pela primeira vez. Mas também é bom termos um sítio para onde nos sabe bem voltar.
Devagar regressamos à rotina, preparamo-nos para um novo ano.
Enquanto passo o aspirador no chão, onde ninguém pisou durante três semanas, passo também a revista aos pensamentos. Faço planos, revejo tudo o que aconteceu no último ano.
Há um monte de roupa para arrumar da mesma forma que temos um monte de novos "nós" para por no lugar também.
A mãe muda de ano com os seus bebés, eles mudam de escola, ela muda de ciclo. A vida está em constante mudança e sabe bem voltar a casa para receber e preparar essas mudanças.

Foram umas férias maravilhosas, mas não há nada melhor do que voltar! Mesmo que seja para a velha torradeira e para o sofá com almofadas gastas de tanto colo que nos dão.

17/08/2018

Primeiro estranha-se! Depois entranha-se!





Não sei se alguma vez Fernando Pessoa passou pela Tailândia, mas tenho a certeza que se teria expressado exactamente da mesma forma como se expressou em relação à Coca-cola.

Foi assim que me senti lá! Primeiro estranhei, depois, definitivamente, entranhei.

Nunca tinha estado na Ásia. Provavelmente, uma passagem de 12 dias pela Tailândia, não fará de certo com que eu passe a conhecer a Ásia, mas faz de certeza com que queira mais e mais.

Parti sem grandes expectativas. Esperava muita confusão, comidas estranhas, pessoas diferentes. Foi de facto o que encontrei, mas não foi, nem de perto, tudo o que encontrei.

Depois de dois longos vôos com escala no Dubai, cheguei finalmente a Bangkok. À minha espera tinha o abraço do meu irmão e da minha cunhada logo na saída dos desembarques. Vivem lá há um ano e meio e isso fez com que não pesquisasse absolutamente nada sobre a cidade. Sabia que ia ter os melhores cicerones do Mundo. Entreguei-me!

No táxi, a caminho de casa, levei logo com uma lição de protocolo e cultura. Talvez por já me conhecerem e saberem que a possibilidade de cometer uma gafe era grande, ensinaram-me logo várias coisas sobre a cultura tailandesa.

O Rei é a figura mais importante daquele país, a seguir vem a religião. Dizer mal do Rei dá pena de 3 anos de cadeia. O Rei que está neste momento a governar é filho de um Rei idolatrado por aquele povo que esteve 70 anos a reinar. A Rainha é a mãe do actual Rei. Diferente do habitual.
Os asiáticos acreditam que a cabeça é a parte mais sagrada do corpo e por isso, não se pode mexer na cabeça das pessoas. Se virem uma criança fofinha na rua, por favor, resistam àquela festinha calorosa na cabeça da criança. No nosso país é sinal de afecto, no deles é sinal de má-educação, desrespeito e más energias. Se vos cair uma moeda ao chão, por favor não a pisem para ela parar de rolar. Podem ter o azar de calhar a cara do Rei virada para cima e tudo o que não vão querer é espezinhar a cara da figura mais importante do país. Os asiáticos não são pessoas físicas. Enquanto nós, latinos, gostamos de apertar os ossos uns aos outros e de espetar belas beijocas quando cumprimentamos até os desconhecidos, eles não vão nessa onda. Juntem as mãos (como se estivessem a rezar) à frente do nariz e saúdem com uma vénia. Quanto maior for a vénia, maior o sinal de respeito ou agradecimento. A forma como eles o fazem é tão calorosa e generosa que garanto que vão sentir-se abraçados sempre que um tailandês vos fizer um cumprimento.




Para começar, vamos aprender a cumprimentar e a agradecer. (Não é fácil! Demorei 5 dias a conseguir decorar a entoação certa!)

Para um Olá, Bom dia ou Boa noite, usamos o "Sawadee Ka" (com a vénia ao mesmo tempo). A pronunciação correcta é Sáuádíká. Quanto mais arrastarem o "ka" no fim, mais caloroso é o cumprimento.

Mais difícil é o Obrigada. Kob Kun Ka! Mais uma vez com a vénia ao mesmo tempo. Se as mãos estiverem ocupadas, baixem só a cabeça. Aqui também arrastamos o Ka para mostrar que estamos meeeeeesmo agradecidos.

As mulheres usam o Ka, os homens usam o Krap.

Quanto à comunicação... Bem! Esqueçam o British accent que aprenderam na escola e o American accent que aprenderam nos filmes. O inglês deles é muito Thai e vai ser difícil perceber tudo o que dizem. Na verdade, ao ouvir o meu irmão a falar com eles ao princípio, deixou-me estarrecida! Achei que ele já falava tailandês. Nada disso! Era só inglês com a pronuncia deles. Estão a ver quando falamos com um brasileiro que não mora cá e abrasileiramos a conversa no vocabulário e na pronuncia para eles nos entenderem melhor? Lá é igual! Simplifiquem as frases, falem pausadamente e usem a mesma pronúncia que eles.

Em vez de: Hello! Can I have a coffee please?
Vai um: Sawadee Kaaaaaa! Coffee please!




Ah! O tema do café também dá um parágrafo inteiro! Nós, os portugueses, estamos habituados à bica! Café em chávena pequena com bastante espuma, forte e quente! Aquele café a meio da manhã e a seguir às refeições para fazer o cérebro funcionar. Lá é muito difícil arranjar um café assim. Temos de, em primeiro lugar, encontrar um sítio onde vendam café expresso, depois, pedir um "expresso, one shot, long, no ice" Caso contrário, recebem um copo de refresco com meio litro de café cheio de gelo.

Por falar em gelo. O calor não é muito, mas a humidade é imensa. O que faz com que o calor que sentimos seja insuportável. Sempre que saía de casa de manhã, levava uns minutos a conseguir habituar-me e a respirar como devia. Na rua há vendedores ambulantes a vender comida e fruta em todas as esquinas e a qualquer hora do dia. Vão experimentar a melhor fruta que já comeram na vida. E uma variedade impressionante. As mangas e a melancia nunca mais vos vão saber ao mesmo depois de experimentarem as de lá. Podem comprar a fruta inteira que eles vendem descascada e cortada na hora, ou em sumo que espremem na hora também e vem cheia de gelo. Não há melhor para repor líquidos e açúcares que desaparecem do nosso corpo à velocidade da luz por causa do calor. Provem o mangustão, a toranja, o dragon fruit. Há vendedores que vendem as frutas misturadas para fazer sumo. Que smoothies maravilhosos aquela terra tem!

A comida é simplesmente maravilhosa! A cada garfada que se mete na boca, é preciso tempo para apreciar todos os sabores que explodem no nosso paladar. Entre o doce, o salgado, o picante, as texturas diferentes... Não é possível explicar a quantidade de sensações que são sentidas em cada dentada. Atenção a quem é sensível ao picante. Os tailandeses usam malaguetas em vez de sal. Quando dizem que determinado prato não é picante (spicy), estão a falar pela bitola deles!




Preparem-se para fazer muitos kms por dia. A cidade é tão grande e tem tanta coisa para ver que não paramos um segundo. Preparem-se também para um mínimo de dois duches por dia por causa do calor. Mal saímos de um, temos logo vontade de tomar outro. Por isso, levem muitas mudas de roupa.

Para se deslocarem existem várias opções. O metro, o comboio (BTS), táxis, tuktuks, motas. Atenção aos tuktuks! São muito bonitos e típicos, mas são a preço de turista. Além do mais, o trânsito é tanto, mas tanto, que vão ficar horas enfiados no Tuktuk a levar com o fumo dos carros e autocarros em cima. Os táxis também não são a melhor opção por causa do trânsito. Os táxi-mota são a melhor escolha. E vão ver muitas paragens de motas espalhadas pela cidade. Eles usam um colete cor-de-laranja, são muito fáceis de identificar. E também é muito barato além de ser muito mais rápido porque passam no meio dos carros no trânsito. Aliás, falando nisso, preparem-se! O sentido do trânsito é ao contrário do nosso, só isso já faz alguma confusão. As motas serpenteiam o trânsito no meio dos carros, muitas vezes em sentido contrário e ainda por cima SEM capacete. Tive alguns ataques cardíacos ao princípio mas ao fim de dois ou três dias já estava habituada. O truque é pensar que eles fazem aquilo todos os dias, por isso sabem o que fazem. Confiemos! Neles e em Deus!
À noite, para irem jantar fora ou sair à noite, podem usar o Grab (aplicação igual à Uber). Tem a vantagem de poderem escolher se querem carro ou mota ou se querem um carro para mais do que 4 passageiros. Podem também escolher pagar em dinheiro ou cartão de crédito e já sabem antes da viagem quanto vão pagar. Assim evitam os enganos dos taxistas normais.

Atravessar a estrada também é uma aventura! Haver uma passadeira não significa que os carros parem! (Não se esqueçam de olhar para direita primeiro! O sentido do trânsito é ao contrário do nosso!) O melhor é respirar fundo, por uma mão à frente a pedir para pararem e avançar sem medos! Em Roma, sê romano!

Para comunicarem com a família pelo WhatsApp ou actualizarem as redes sociais, aconselho-vos a comprarem um cartão SIM tailandês. Podem comprar em qualquer loja de conveniência (há mil espalhadas na rua), há cartões próprios para turistas, só precisam de mostrar o passaporte. O cartão custa 300 Bhats (cerca de 7€) e funciona durante 8 dias com internet ilimitada e chamadas grátis para números tailandeses.

Há milhões de templos para visitar. O meu irmão levou-me a 3 que valem mesmo a pena. O Templo do Buda reclinado (Wat Pho), o Golden Mount e Ayutthaya. Os dois primeiros ficam no centro da cidade, embora em sítios diferentes, o último fica a uma hora de caminho. É possível contratar visitas guiadas ou um motorista privado para fazer esse passeio. Quando visitarem os templos, não precisam de tapar a cabeça. Mas não podem ter os joelhos nem os ombros de fora. Podem levar saias ou calções desde que tapem os joelhos. As mangas podem ser até bastante curtas, desde que não sejam cavas. Levem um lenço na mochila para cobrir os ombros ou para por à volta da cintura tipo canga da praia. Nos jardins dos templos andamos calçados, mas dentro dos templos, temos de tirar os sapatos. Aconselho levarem sapatilhas com meias (pezinhos) para não terem de andar com os vossos pés descalços em cima do chulé dos turistas todos que lá andam.

Há muitos shoppings em Bangkok! O MQuartier e o Emporio são shoppings de luxo. Mesmo luxo! Com lojas YSL, LV, Cartier, Prada e afins. Até stands da Bentley e Rolls Royce encontram! Depois há o MBK que é obrigatório pela experiência em si. Imaginem um Martim Moniz com ar condicionado e distribuído por 7 andares! Lá podem comprar roupa, artesanato, tecnologias e gadgets, comidas e tudo e tudo e tudo e tudo! Não há descrição possível para o ambiente deste shopping e para tudo o que lá podem encontrar. Outro shopping que adorei foi o Terminal 21. O conceito do shopping está muito giro porque cada andar tem o tema de uma cidade diferente e está decorado em função disso e também está dividido por secções. Um andar para homem, outro para senhora, outro para criança, decoração, etc. Tem lojas muito giras com coisas lindas e diferentes.




Claro que também há os mercados. E claro que também são obrigatórios! Os mercados, por norma, funcionam de 6ª feira a Domingo. Há os mercados noturnos e os de dia. Um mercado nocturno obrigatório, é o JJ Green Market. É um espanto!!! Imaginem uma LX Factory mas quem dera a LX Factory ser aquilo. Tem uma zona de comidas do outro mundo que não acaba! Com todo o tipo de street food que podem imaginar e também coisas que nunca imaginariam. (Sim! Aqui encontram larvas e baratas fritas!) mas também encontram os melhores Dim Sum de sempre e as melhores espetadas de porco e tanta coisa maravilhosa!!!! No fim do mercado existem uns armazéns (tipo LX Factory) a vender velharias. E aqui é outra vez para perder a cabeça! (Tinha trazido três contentores cheios para casa se pudesse). A proximidade da Tailândia ao Vietname faz com que haja milhões de coisas do tempo da guerra. Desde motas, carros, mobílias, objectos, roupas daquela época. Imensa coisa muito americana dos anos 50 aos anos 70. Tanta coisa maravilhosa e linda!
Outro mercado para comprarem presentes é o Chatchuchak Market. Este mercado tem 20.000 mini-lojas. Muito dividido por áreas também. Roupa, decoração, artesanato e também uma área reservada a artistas e pequenas marcas locais. Aqui, havendo possibilidade, é levar uma mala de viagem para encherem de compras.

As praias ficam longe de Bangkok. A menos que tenham muitos dias de férias e oportunidade para alugar um carro e fazer muitos kms, a forma mais fácil (e barata! Comprem os vôos na Asia Airlines) é de avião. Estive perto de Krabi. Um paraíso prometido pela maior parte das fotografias dos postais tailandeses. O único problema foi ter ido na pior altura (Agosto). Apesar do calor e da água a temperatura bastante convidativa, apanhei muitas chuvas torrenciais. A água, por norma transparente, não estava nada transparente e as ilhas verdejantes do horizonte dos postais estavam cinzentas e cobertas de neblina. Claro que não deixou de ser um sonho! Mas, quem não for Educador de Infância e puder tirar férias fora de Agosto, vá no nosso Inverno para apanhar a melhor altura. A partir de Outubro já é seguro apanhar bom tempo. Dicas? Mesmo com o céu encoberto e com creme factor 50+ apanhei um escaldão. O sol é mesmo muito forte! Se forem na altura do bom tempo, não se esqueçam de besuntar o corpo muitas vezes com um factor muito alto. A rebentação das ondas (quem costuma ir ao Guincho acha a rebentação de lá absolutamente ridícula!) tem muitos corais partidos. Doi nos pés a entrar na água. Eles vendem sapatos próprios para tomar banho no mar em todas as esquinas. Não percam o por do sol num dos bares da praia com uns petiscos bem tailandeses. Alguns bares têm música ao vido e um ambiente espectacular!

Os elefantes são uma das maiores atrações do país. E claro que são uma das mais apetecíveis! Mas atenção. Os animais são muito explorados em muitos sítios. Por favor não compactuem com os passeios de elefante, seja na selva, seja na cidade. Os animais são muito mal tratados nesse tipo de atrações. Eu visitei um santuário de elefantes onde são acolhidos elefantes resgatados de fábricas (usados para transporte de madeiras) e de locais turísticos. No santuário eles vivem em liberdade (controlada e fechada), comem quando querem, tomam banho em lagoas e brincam na lama. Foi a maior experiência da minha vida! Pude contactar de muito perto com eles que estão habituados aos humanos. Dei-lhes fruta, muitos abraços, passeámos pela mata e no fim ainda pude tomar banho com eles na lagoa. Foi uma experiência tão intensa e bonita que não tenho palavras para descrever. Acho que foi o melhor dia da minha vida!

Em jeito de resumo, só vos posso dizer que a Tailândia foi uma surpresa maravilhosa! As pessoas são incríveis! De uma simpatia e vontade de agradar incríveis. Senti-me dentro de um documentário do National Geographic o tempo todo. Num momento estamos numa rua cheia de prostitutas, no momento seguinte estamos em frente a um arranha-céus moderníssimo. O contraste é impressionante! As cores, os cheiros, o barulho. Há sempre música! Há sempre trânsito! Há sempre calor! O cérebro está constantemente a processar informação. Constantemente a absorver e a aprender coisas novas.

Se vos perguntarem de onde são, you're not from Portugal! You're from Portukéte! Ohhhhhh Ronaldo! Very good!

Ah estes contrastes bons de culturas! Temos de ir abertos às diferenças. Preparados para choques culturais muito fortes. Com o coração cheio de vontade de conhecer coisas novas. Se o espírito for esse, tenho a certeza que vão amar este país!


Ah! Já me esquecia! São um povo muito asseado! As casas de banho têm sempre uma empregada a limpar as retretes a tempo inteiro. (Nos mercados paga-se 5 Bhats para entrar) No entanto... Nem sempre os parâmetros são iguais aos nossos! Por isso, não levem roupa muito complicada senhoras! Macacões não dão muito jeito quando temos casas-de-banho muito apertadas e com um buraco no chão em vez da retrete. Normalmente, quando há buraco, não há autoclismo. Há um balde cheio de água com um alguidar pequeno para deitarmos lá para dentro. Levem sempre na mochila lenços de papel e toalhetes húmidos. Dão sempre jeito! Se precisarem de fazer um xixi e tiverem um centro comercial por perto, aproveitem! Vão perceber o conceito de luxo Asiático nos shoppings!














27/07/2018

A cesta das Mães Solteiras

É 6.ª feira. Este fim-de-semana os filhos são teus! Passas no supermercado para te abasteceres para o fim-de-semana.

- Fruta! Temos de levar fruta. Vais comer fruta sim! Quem é a mãe aqui?
- Legumes para fazer sopa nova. Não te preocupes! Desta vez não levo espinafres. Mas vais comer sopa, já sabes!
- Vou levar estes peitos de frango para fazer nuggets. Ficam bons no forno e têm menos gordura.
- Não! Não podes levar gomas.
- Vá... Leva lá cereais de chocolate para o pequeno-almoço! Um doce também não faz mal.
- Não! Não vou levar batatas fritas! Já sabes que não compro isso.
- Iogurtes
- Leite
- É melhor levar arroz, acho que está a acabar.
- Panquecas para o lanche? Ok! Vou buscar farinha de aveia que já não há.

É 6.ª feira. Este fim-de-semana os filhos são do pai! Passas no supermercado para te abasteceres para o fim-de-semana.

- Hum... Estes croissants estão com óptimo aspecto! Ah! Que bom! Estão mornos. Vou levar só um. Oh! Vou levar dois!
- Fruta? Vá... Levo morangos! Estão com boa cara.
- Chocolate Branco! Simmmmm!!!! Para acabar de ver a 3.ª temporada da série.
- Sopa! Vou levar já feita! Será que tem batata? Paciência! Já está feita!!!
- Ah! E uma lasanha destas! Não me vai apetecer cozinhar.
- Somersby! Acho que já só tenho uma.
- Batatas fritas. Está mesmo a apetecer-me.
- Bacon para fritar com os ovos.
- Se calhar vou voltar para trás para ir buscar também uma tablete de amêndoas torradas.

26/07/2018

Não deixes para amanhã!

O que podes fazer antes das férias!

Eu sou aquela pessoa organizada que faz tudo com antecedência! (Not!!!)
Deixo tudo para a última! Faço tudo na véspera, na última chamada, nos últimos 5 minutos.

No ano passado consegui estar 3 meses à espera de um livro de Português para a minha filha... Não me perdôo... Quem ficou mal foi ela que andou com fotocópias durante uma data de tempo por culpa da desorganização da mãe!

Este ano não me apanham nessa. Antes de ir de férias deixo tudo tratado e encomendado!

Fui ao site da Staples encomendar tudo. Basta escolher o sítio onde vivemos e a escola e ano em que os nossos filhos andam e as listas aparecem logo. Se comprarmos agora, temos logo 6% de desconto imediato até ao dia 19 de Agosto.

A minha parte preferida ainda é poder encadernar os livros escolares na Staples com aquele sistema Colibri que não estraga os livros, não faz bolhas, ficam perfeitos e eu ainda passo por mãe espectacular!!!

25/07/2018

Cada vez mais perto!

Ver o lado positivo das coisas, neste caso de uma coisa muito simples, a vida, é achar que a cada minuto que passa, estamos cada vez mais perto. Mais perto de quê? Sei lá eu! Cada um sabe de si. Cada um sabe quais são as suas lutas, os seus caminhos, os seus objectivos. A única coisa que aprendi, foi que, enquanto olharmos para trás para ver determinadas coisas que estão cada vez mais longe, esquecemo-nos de olhar para a frente para ver as próximas cada vez mais perto.

Podíamos até falar da fila do supermercado ou da fila de trânsito. A cada artigo que a menina da caixa passa do cliente que está à nossa frente, a nossa vez fica cada mais vez mais perto. A cada metro que avançamos numa fila de trânsito infernal, o nosso destino está cada vez mais próximo.

Agora basta pegar neste raciocínio, que até parece um bocado parvo, e projectá-lo na nossa vida. Na parte abstrata e misteriosa da vida. Sobre a qual não sabemos nada... Mas sabemos que, a cada minuto que passa, estamos cada vez mais perto. Seja da promoção no trabalho, das férias, daquele sonho por realizar. Até da morte estamos cada vez mais perto. Mas nessa preferimos não pensar. Não é com ela que queremos encontrar-nos. Apenas com as coisas boas que estão por vir.

Eu acredito que estou cada vez mais perto do Euromilhões por exemplo. Não sei! Está no lado abstrato e misterioso da vida. Mas se eu acredito, vocês também não são ninguém para me dizer que não!!! Cada um acredita no que quiser. O importante é que saibamos que estamos cada vez mais perto.

12/07/2018

Tu que preferes a magra!

Ontem, enquanto participava na Prova Oral com o Fernando Alvim, ligou um ouvinte a queixar-se que não tinha nenhuma relação há 10 anos. Que só queria ser feliz. Já agora com uma mulher magra porque não gostava de mulheres gordas.

Confesso que me contive para não lhe responder em directo. Não sabia muito bem se podia interromper a conversa. Mas desde ontem que fiquei a pensar nisso. Aproveito para responder, não só a ele, mas a todos os homens que preferem as magras.

Senti-me ofendida! Senti-me ofendida enquanto Mulher. Senti-me ofendida em nome de todas as Mulheres. Não só pelas mulheres gordas, mas pelas Mulheres magras também.

Tento explicar muitas vezes que, depois de um caminho percorrido, percebi que o meu estado civil não me define. Deixei de ter vergonha de dizer que era divorciada quando aprendi a dar-me valor. Quando finalmente descobri que aquilo que eu posso dar a quem está ao meu lado nada tem a ver com o facto de ser divorciada, casada ou viúva. Percebi que sou muito mais que Mãe, muito mais que Educadora de Infância, muito mais que Blogger, ou filha ou contribuinte. Na verdade somos um todo.  Mas não somos mais pela nossa profissão, ocupação ou estado civil. Da mesma forma, o tamanho das calças que vestimos também não define aquilo que somos. Ai não define mesmo!!!

A ti que preferes a magra, só posso concluir que o que queres mesmo nada tem a ver com o que a pessoa que poderia estar ao teu lado te possa dar. Aliás, nem tu tens nada para oferecer. Porque andas à procura de algo cujo conteúdo te é indiferente. Só interessa mesmo o pacote. (Em todos os sentidos!)

Tu que preferes a magra nada sabes sobre o que significa gostar de uma pessoa por aquilo que ela é. Pelo seu carácter, pelo seu sentido de humor, pelas suas convicções, pela sua força ou pela sua forma de viver.

Tu que preferes a magra não mereces sequer a gorda. Porque ao preferir a magra em vez da bem-disposta, ao preferires a magra em vez da generosa, ao preferires a magra em vez da forte, não preferes mulher nenhuma. Não mereces mulher nenhuma. Independentemente dela ser magra e bem-disposta ou magra e generosa.

Neste Mundo em que vivemos, talvez devesses até preferir a gorda. Porque a magra nunca teve de se esforçar para ultrapassar preconceitos. A magra nunca teve de se fazer de forte para vestir um fato-de-banho. A magra nunca teve de se sentir culpada diante de um bolo de chocolate.. A magra nunca teve de refugiar-se no seu sentido de humor para fazer-se bonita num Mundo que prefere magras.

Tu que preferes a magra não percebes nada! Não percebes que, muito provavelmente, escondida dentro das curvas bem delineadas e generosas de um corpo, está uma mulher que vai preocupar-se muito mais contigo e cuidar muito melhor de ti porque sabe que, num Mundo de homens de merda como tu, não há muitos que olhem para si. E por isso vai fazer-te feliz como nenhuma magra faria só por ter medo de te perder.

Tu que preferes a magra, não percebes absolutamente nada de Mulheres.

É por tantos ‘tus que existem neste Mundo que a gorda vai continuar a sentir-se gorda em vez de sentir-se bonita, generosa ou forte ou feliz.

Eu já fui a gorda. E mesmo que hoje seja magra, vou continuar a afastar de mim os homens como tu. Que preferem o rabo ao carácter. As maminhas ao sentido de humor. As pernas à generosidade.

Como disse alguém que interveio ontem no programa, tu que preferes a magra, podes ir ao talho escolher o teu pedaço de carne e continuar sozinho à espera que a magra apareça.


07/07/2018

Em que é que ficamos?

Há quem diga que não percebemos nada, no final das contas, eu até acho que percebemos tudo.

Tive um dia de praia espectacular. Com amigos. Acordámos bem cedo, o tempo estava uma merda, mesmo assim não desistimos. E eu estive quase... Pegámos nas crianças e nas sanduíches e fizemo-nos à estrada. Valeu tanto a pena não desistir!

A praia acabou numa mesa com caracóis, cervejas, bocas lambuzadas de gelado, gargalhadas e conversas boas. Mas também acabou com um telefonema a dar uma notícia triste da morte repentina de alguém.

Fiquei mal-disposta... Sempre que recebemos notícias destas ficamos assim... Mal-dispostos. Com o duro embate com a realidade. A realidade que tentamos não ver quando acordamos todos os dias. A realidade de que num minuto estamos aqui e no próximo não sabemos.

Agarrei-me aos meus filhos! Pensei nos meus pais. Olhei para os meus filhos a pensar se, se partisse naquele segundo, se teria deixado alguma coisa por lhes fazer. Na verdade, quando morremos, deixamos sempre tudo por fazer. Mas também é verdade que, se pensarmos bem, não deixamos absolutamente nada! Quando alguém morre, temos tendência a enaltecer essa pessoa. Acho que, se morresse, os meus filhos iam lembrar-se apenas das coisas boas que fazíamos e não do ralhete que lhes dei no outro dia só porque estava cansada e me deixou com a sensação de ter sido injusta no minuto seguinte.

Estes momentos dão-nos vontade de viver como se não fossemos acordar amanhã. De dizer a todas as pessoas importantes que as adoramos. De fazer algum pedido de desculpa que tenha ficado pendente. Temos até o desplante de pensar naquela viagem que queríamos tanto ter feito e ainda não houve oportunidade. Ou combinamos que vamos passar a ir contemplar o mar todos os dias.

A verdade é que é impossível viver como se fossemos morrer amanhã. Primeiro porque seria bastante cansativo viver com urgência em deixar tudo bem feito. Depois porque, aquelas coisas que consideramos especiais e temos vontade de as fazer quando nos cheira a morte, deixariam de ser especiais.

Se fosse todos os dias à Indía, deixava de ter vontade de a conhecer. Se comesse todos os dias as minhas comidas preferidas, deixava de conseguir sequer olhar para elas, quanto mais ter vontade de as comer. Se ligar todos os dias aos meus pais a dizer que os adoro, aquelas palavras que quero impactantes na hora em que são ditas, passariam a ser banais.

As coisas especiais são especiais precisamente porque não temos tempo ou oportunidade de as fazer constantemente!

Se calhar estes baques de morte fazem-nos bem de vez em quando, embora eu ache que ninguém devesse morrer! (Só os maus! Esses não fazem cá falta nenhuma!) Faz-nos bem, de vez em quando, lembrarmo-nos que somos finitos. E frágeis. Deve ser por isso que esses momentos nos fazem pensar em coisas importantes! Porque, felizmente, não acontecem todos os dias. E de vez em quando é bom pensar nas coisas importantes que temos para fazer e dizer.

Mas também faz parte da vida acordar, comer, trabalhar, executar tarefas quotidianas, levar os filhos à escola, esquecer de comprar leite, comer os mesmos bifes de frango de sempre, discutir com a mãe ou mandar o senhor do carro da frente à merda. Faz parte da vida. Faz-nos ser imperfeitos. Na verdade faz-nos vivos! E são essas perfeitas imperfeições do dia-a-dia que tornam algumas coisas tão especiais.

Por isso, afinal de contas, acho mesmo que não devemos viver como se amanhã fosse o último dia. Acho mesmo que devemos só viver. Com o bom e o mau que a vida nos dá. Com o melhor ou o pior que conseguimos fazer dela. Sem nos esquecermos de, de vez em quando, fazermos coisas especiais. De preferência sem termos de levar com um baque de morte.  Isso seria o ideal! Um dia havemos de ir todos não é?



28/06/2018

Um problema que é mais comum do que se imagina!




Felizmente, enquanto Mãe, nunca passei por isto. Os meus filhos sempre foram muito certos na hora de fazer cocó.





Mas enquanto Educadora, sempre tive crianças que precisavam de ajuda. Este ano, ainda mais, por serem bem mais pequeninos.

Escuto com atenção as preocupações das Mães, em alguns casos as preocupações são bem grandes. Tento ajudá-las na medida do possível. Mas nem sempre tenho os conhecimentos suficientes para o fazer.

A prisão de ventre nem sempre é fisiológica. Muitas vezes torna-se um ciclo vicioso1. Como um novelo que se forma dentro das suas cabeças e que os bloqueia.

A dor é um dos motivos! Há várias causas que levam à prisão de ventre. Questões emocionais, stress, o facto de estarem fora do seu ambiente, as mudanças de dieta...

Isso faz com que a criança associe a dor ao acto de fazer cocó e por isso fica com medo de ir à casa-de-banho e tenta prender. Ao prender, faz com que o cocó fique bastante mais duro tornando a ida à retrete bastante dolorosa.

E o ciclo vai girando! Dor, medo, retenção, dor!

A criança fica ansiosa porque não consegue e os pais ficam ansiosos porque não sabem, muitas vezes, como ajudar.

Mas há formas de dar a volta à questão!

Através da alimentação com um maior consumo de água e de fibras. Criando rotinas, como ir com a criança à casa-de-banho cerca de 20 minutos após as refeições. Ajudar a criança a sentar-se confortavelmente na retrete, com os pés bem assentes e com a ajuda de um banco para as pernas ficarem na posição ideal (para lhe dar segurança) e confortando a criança de forma positiva pode ajudar2.

Quando aparece a prisão de ventre, pode acontecer ver a fralda ou as cuecas da criança sujas devido a fugas involuntárias. É extremamente importante não ralhar com a criança quando isso acontece para não aumentar a ansiedade dela.

Quando tudo isto não resolve, é preciso recorrer a produtos que ajudem a amolecer o cocó da criança facilitando a ida à casa-de-banho. Como por exemplo o DULCOSOFT® líquido (solução oral 250ml) que pode ser tomado por crianças a partir dos 2 anos de idade.
E sabem qual é a grande vantagem do DULCOSOFT®? É o seu sabor neutro. Pode ser misturado num sumo, no leite, na sopa ou em água e a criança não sente. E também é adequado para diabéticos e celíacos pois a sua composição não tem glúten nem açúcar.
Existe ainda a opção DULCOSOFT® em saquetas (pó para solução oral 10gr, 20 saquetas) que pode ser tomado por crianças a partir dos 8 anos de idade.

Podem saber mais sobre o DULCOSOFT® aqui!

DULCOSOFT® Pó para Solução Oral e DULCOSOFT® Solução Oral são dispositivos médicos para amolecer as fezes duras e secas e facilitar a evacuação. A administração a grávidas e crianças com menos de 8 anos deve ser preferencialmente supervisionada por um profissional de saúde. DULCOSOFT® não deve ser tomado durante mais de 28 dias. Não tome DULCOSOFT® no caso de alergia ao macrogol 4000 ou a qualquer outro ingrediente, se tiver alguma doença intestinal inflamatória grave ou megacólon tóxico, perfuração digestiva ou risco de perfuração digestiva, íleus, suspeita de obstrução intestinal, estenose sintomática ou síndromes abdominais dolorosas de causa indeterminada. Leia com atenção a rotulagem e instruções de utilização. (5.0) [SAPT.DULC8.18.05.0329b].


1 Nadeem A Afzal, et al. Constipation in children. Ital J Pediatr. 2011; 37: 28. 
2 Nurko S., et al, Evaluation and Treatment of Constipation in Children and Adolescents. Am Fam Physician. 2014 Jul 15;90(2):82-90.

18/06/2018

Quanto pior mãe sou, mais contente fico!

Avisei claramente antes de entrar no supermercado!

- Vamos ao supermercado! Estão desde já informados que vou comprar coisas que preciso. Escusam de pedir o que quer que seja.

Mas isto foi dentro do carro. Toda a gente sabe que os avisos são guardados naquela caixinha sem fundo, lá naquela parte do cérebro, mal passamos a porta do supermercado.

Cromos para a caderneta, um cachecol de Portugal, uma bola de futebol, iogurtes com smarties, bolachas com pepitas de chocolate... Perdi o fio à meada... Não só pediu coisas (ele, claro! Ela já sabe que nem vale a pena) como pediu coisas de extrema importância para a sua sobrevivência!

- Vais continuar a pedir? Ou ainda não percebeste que vais levar um não a cada pedido que fizeres?
- A mãe nunca nos compra nada! NUNCA!
- Tens toda a razão! Tens uma mãe horrosa! Não há problema nenhum porque vamos já tratar de te arranjar uma mãe muito melhor! Olha! Aquela senhora tem um ar simpático! Vai lá pedir-lhe! Tenho a certeza que te compra tudo o que precisas.
- Mãe...
- Estou a falar a sério! Não mereces uma mãe como eu! Não vais lá tu, vou lá eu! Olhe!!! Desculpe!!! A senhora quer ser mãe do meu filho?

Amuou... Não foi a senhora! Foi ele mesmo. Mas a verdade é que não pediu mais nada até acabarmos as compras.

Chegámos a casa! Calor infernal. (Mas em bom! Não me queixo! Venha o calor! Onde estava ele?) Fomos passear o Darcy. O jantar já estava previsto e eu até já lhes tinha dito que iam para o banho mal chegássemos a casa. De repente mudei de ideias.

- Mãe, pode ser a Gigi a tomar banho primeiro?
- Não! Vão vestir os fatos-de-banho!
- Hã?
- Rápido! Vão vestir os fatos-de-banho!

Fui a voar para a cozinha! Voltei a guardar os bifes de frango no frigorífico! Ovos mexidos, bacon, pão! Uns sumos, uma garrafa de água e um café dentro de um frasco de geleia. Enfiei o fato-de-banho e arranquei-os de casa.




Eram 20:00 quando chegámos à praia. A maior parte das pessoas estavam de saída. Dois casais, uns jogadores de vólei, as palmeiras, os barcos e nós! Tão bom!

Adoro estes programas organizados em cima do joelho! Falava eu em aceitação ontem... Sim! Aceitar o fim de dia maravilhoso que nos é oferecido e arrancar para a praia com uma sanduíche debaixo do braço. Mesmo em dia de aulas. Se morrer amanhã, estas memórias já ninguém lhes tira.

Jogaram à bola, comeram com as mãos, deram mergulhos até as luzes da vila se acenderem. Saímos já de noite e só porque havia aulas no dia seguinte.

Criar-lhes memórias. É tudo o que mais me interessa! Mesmo que, daqui a muitos anos eles se lembrem que a mãe não lhes comprava tudo o que pediam, pelo menos também se vão lembrar que a mãe os levava a jantar na praia. Em dias de aulas. E a dar mergulhos quando as luzes da Vila já estavam acesas.








Aceitar não é desistir

Tomei o pequeno-almoço com uma amiga. Pusemos dois meses de conversa em dia. Eu tenho sido uma péssima amiga ultimamente... O Livro consumiu todo o meu tempo e energia nos últimos meses! Agora estou a tentar compensar as pessoas pela minha ausência. A física e a emocional.

Falámos das nossas vidas e contámos as últimas novidades. A dada altura ela fazia mil planos para o futuro. Desejou-me mil coisas boas para os próximos tempos e perguntou-me quais eram os meus planos.

Fiquei em silêncio. Primeiro a olhar para ela, depois a olhar para o céu em busca de ideias e pensamentos. De desejos.

- Olha... Não penso nisso! Estou finalmente numa fase de aceitação.
- Como assim?

A verdade é que não sei muito bem como explicar! O último ano da minha vida foi uma montanha russa. Em todas as vertentes que a vida nos oferece! Estive em cima e em baixo. Subi tão depressa como desci. Não tive muito tempo sequer para pensar nas coisas.

Agora que as coisas acalmaram finalmente, percebi que estou numa altura de aceitação. Aceitar aquilo que a vida me oferece. E isso não é necessariamente desistir de nada! É não fazer planos para os próximos tempos. É aproveitar cada momento no instante em que ele acontece. É absorver as coisas à medida que vão surgindo. Dando mais tempo para as ver chegar, para as agradecer, para as viver.

Planos? Sim! Tenho vários. Mas não olho para o fim da estrada à procura deles. Apenas sei que um dia vão chegar. E vou tranquilamente aproveitar o caminho. Aproveitar as pessoas que estão ao meu lado. Aproveitar o meu trabalho. Aproveitar as coisas que vão surgindo. Aceitar aquilo que o Universo me oferece de braços abertos sem esperar mais do que aquilo que me é confiado.

Quando aceitamos aquilo que nos é oferecido sem esperarmos não há desilusões. Há apenas gratidão. Não há ansiedade para ver quando vem mais ou porque veio menos. Há apenas tempo para abrir as mãos, agarrar e viver.

Aceitar era algo que já não fazia há muito tempo! E era também algo que precisava voltar a fazer.

Viver com ansiedade para ver, com angústia de não receber ou com a desilusão de não ter na medida que achamos que devíamos é muito desgastante.

Por isso a nova palavra de ordem é aceitar! E depois? Depois logo se vê o que a Vida traz!

17/06/2018

Porque é que nunca me explicaram assim?

Ontem estive numa formação sobre os Touchpoints do Dr Brazelton. (Aquele super mega guru da pediatria mundial)

Basicamente, e muito resumidamente, estive a tentar perceber melhor como funciona a cabeça de um bebé e o seu desenvolvimento.

A dada altura falou-se das cólicas. Há milhões de teorias sobre a fase das cólicas nos recém-nascidos. Há milhões de teorias que tentam explicar a razão de existirem. Sejam elas quais forem, há tantos outros milhões de mães a sofrer com as mesmas. Seja porque o bebé berra uma noite seguida, seja porque o bebé chega ali às 18:00 e, sem ninguém entender porquê, começa aos berros durante horas seguidas. As mães sofrem com o sofrimento deles, mas também sofrem de cansaço e de desespero.

Quem estava a dar a formação era a Prof. Ana Teresa Brito. Minha professora e orientadora de estágio na faculdade. (Há muitos anos... Mas não interessa agora contá-los!) Além de ser das pessoas mais humanas e generosas que conheço, também é das pessoas que mais sabe sobre a 1ª Infância neste país. A sua explicação para as cólicas foi a explicação mais simples que já ouvi na vida! Talvez a que faça mais sentido! E, se me tivessem dado esta explicação quando os meus filhos tiveram cólicas, talvez eu tivesse tido muito mais empatia com a dor deles. E essa empatia teria gerado muito mais compreensão e menos cansaço em mim, que desesperei a cuidar deles!

Um bebé passou 9 meses dentro da barriga da mãe. Passou 9 meses a uma temperatura mais ou menos estável, em meio aquático, a ser alimentado constantemente pelo cordão umbilical, protegido da luz, do ruído, do frio, do calor, de todos os estímulos existentes neste Mundo.

De repente o bebé sai da barriga da mãe! Puf! Está fora do meio aquático. Tem de habituar o seu corpo e a sua pele ao ar. Tem de gerir as diferenças de temperatura, a fome, o sono, o colo da avó, dos irmãos, dos pais, das vizinhas. Tem de gerir o barulho das vozes de todas as outras pessoas (e toda a gente esganiça a voz para falar com eles, coitados!). O barulho da televisão, do trânsito. A luz do dia e o escuro da noite. Tem de gerir o seu corpo a funcionar de forma diferente. Porque agora respira, engole, faz cocó e xixi. O bebé tem de gerir todo o que lhe é apresentado nesta nova vida e tudo o que lhe acontece por dentro e por fora!

Já pensaram no stress que causa a cada bebé? A pressão pela qual o bebé passa?

Imaginem atirar-nos para dentro de uma empresa. Primeiro dia de trabalho. Ter 100 pessoas que querem vir cumprimentar o novo colega, a despejarem os seus nomes para cima de nós (que não conseguimos decorar nem um) a despejarem toda a informação de como funciona cada departamento e onde podemos encontrar tudo o que precisamos. Agora imaginem que tudo isto acontecia numa cidade nova, numa língua que nem sequer é a nossa! E ao fim do dia nem sequer sabíamos bem qual o caminho para voltar para casa.

Já pensaram na tremenda dor de barriga que sentiríamos com a ansiedade? E a tremenda dor de cabeça que iríamos ter no final do dia! Mais o cansaço do corpo e da cabeça por toda a informação que tivemos de reter ao mesmo tempo!

Se nós adultos íamos querer um analgésico, com um copo de vinho e um sofá em silêncio depois de 8h disto! Imaginem os bebés aos fim de 3 semanas. Após aterrarem na nova família, na nova vida, no novo Mundo!

Eu juro que, depois de ouvir esta explicação, me apeteceu ir abraçar os meus filhos e pedir-lhes desculpa por todas as vezes que desesperei com o choro deles! E pelas vezes que me apeteceu atirá-los pela janela porque já não conseguia ouvir os berros! Porque é que não me deram esta perspectiva há 10 anos?

Bolas!!!










03/06/2018

E agora? O que é que eu faço?

Tens as respostas dadas vez mais empertigadas. Já começas a revirar os olhos de cada vez que te peço alguma coisa que não te apetece fazer. E lá vai ela! A bufar pelo caminho e atirar as mãos pesadas pelo ar. Basta-me dizer o teu nome para voltares à postura de menina bem educada, mas sei que fervilhas por dentro.
Achas sempre que estou a ser injusta contigo em relação ao teu irmão. Nem imaginas que é exactamente ao contrário e que passo a vida a fazer orelhas moucas às respostas que desabafas em voz baixa. Não porque não queira saber, mas precisamente por saber que fazem parte e não quero entrar em confronto constantemente. Tenho presente em mim uma adolescência ainda fresca. Sei bem que tens um monte de hormonas a comandar o teu sistema nervoso e todas as mudanças que estão a decorrer aí dentro. E aí fora! Ainda tenho bem presente o que estás a sentir.

Ainda recuas quando te lanço o meu olhar número 37. "Desculpe mãe!" Por isso sei que me respeitas e sabes bem quais são os limites (apesar da ousadia em tentar ultrapassá-los). Já percebi tudo! As birras que não fizeste com 2 anos, guardaste-as para agora, não foi?

Tens o desplante de afirmar assertivamente factos que aconteceram antes sequer de nasceres, mesmo depois de eu te dizer que é exactamente ao contrário. Isto está a ficar bonito!

Safa-te a tua doçura quando olhas para mim e a tua generosidade ao cuidar do teu irmão! O respeito que tens pelo Mundo e pelas pessoas.

Sempre foste teimosa e persistente.

Eu estou aqui. A observar. A aprender. A viver a tua adolescência de filha ao mesmo tempo que entro na minha adolescência de mãe. As mudanças não estão apenas a acontecer contigo. Estão também a acontecer comigo. Eu também estou a aprender a lidar com a tua autonomia. Com a tua autonomia intelectual, a tua autonomia emocional. A tua autonomia em geral! Quando achas que já sabes exactamente o que precisas e já tentas fazer tudo sozinha. Calma miúda! Calma contigo.

E calma comigo também. Não andes depressa demais porque eu estou a correr atrás de ti, a aprender a lidar com esta nova menina grande que está a entrar em casa aos poucos mas cada vez mais depressa. Depois perco o fôlego! E não quero ser injusta e ter de dar razão às tuas reivindicações.

Já sei que isto tende a piorar! E eu espero continuar a sentir empatia com as tuas hormonas, espero continuar a ter fôlego para correr atrás de ti. Espero que o meu olhar 37 continue a funcionar.

27/05/2018

A miúda está a abrir as asas!



Há meses que sabemos que isto vai acontecer. Mas foi sendo adiado. Mais por mim do que por ela.
Há semanas que ela me pede para fazer a mala e eu vou atirando com o assunto para o canto da sala na esperança que ele possa ser arquivado.

Não foi! Hoje fizemos a mala. E ela estava tão feliz!

Escolhemos juntas as roupas. Separei tudo em sacos de plástico, divididos por dia. Mostrei-lhe onde estavam os produtos de higiene e revimos mil vezes como é que ela tem de fazer a bomba da asma e quando. Ela sabe de cor. Eu sei que ela sabe. Mas sou eu quem precisa que ela reveja a matéria dada. Com confirmação em prova oral.

Esta miúda vai fazer 10 anos dentro de pouco tempo. Esta miúda está a ir de viagem, pela primeira vez da vida dela, sem a mãe e sem o pai. E vai estar sem falar com nenhum dos dois durante alguns dias. Eu sei que ela se vai divertir. Eu sei que ela não vai precisar de mim para nada. Eu sei que os professores que a acompanham vão dar-lhe tudo o que precisa. Desde as gargalhadas, ao mimo, aos arrebites que forem necessários. Eu sei que ela nunca mais se vai esquecer de dormir em camarata com as amigas e de comer no chão e de rir até cair e de ficar com os pés a doer de tanto andar. Eu sei! Tenho a matéria bem revista e bem estudada.

Estou só a mentalizar-me para o facto de ter a minha primeira bebé a sair do ninho. A ganhar asas. Dentro de pouco tempo vão começar as saídas à noite e eu vou desejar com muita força voltar a este tempo em que eu só tinha de me preocupar com a viagem de estudo que ela fez com os professores pela primeira vez. Enquanto esse tempo não chega, deixem-me fazer o desmame desta filha. Deixem-me enfiar na cabeça que ela não é mais minha. Que só foi minha enquanto precisava que lhe dessem banho ou que a vestissem ou enquanto não conseguia tomar decisões e pensar por ela.

Quanto mais a oiço mais tenho a certeza que a base do trabalho está feita. Que os alicerces estão bem presos ao chão e que, a partir daqui, é ela quem tem de colocar os próprios tijolos. Pode precisar ainda de algum apoio a colocar o cimento. Mas daquilo que vejo, está a safar-se lindamente!

Que assim continue! Responsável, generosa, divertida, feliz!

Cá estarei à espera dela! Para a abraçar, para ouvir as suas aventuras todas e para lhe lavar a roupa suja que vier na mala.

23/05/2018

Conta-me como foi!

Eu bem me queixo de vez em quando! Mas a verdade é que me queixo de barriga cheia. Bem cheia!



Estávamos em Novembro. Eu estava a passar uma das fases mais difíceis da minha vida. Com o fim (muito complicado) de uma relação e uma adaptação a uma sala de bebés de um ano ao mesmo tempo. Recebi uma mensagem da Isabel da Zero a Oito (minha querida e adorada editora! É incrível como as pessoas se podem tornar amigas com tanta facilidade! It was meant to be!) Nunca nos tínhamos visto ou falado.

- Olá! Queres escrever um livro?

Achei que ela estava louca! Eu? Como? Quem? Quando? Mas porquê???

Nem ela sabia bem... Só sabia que queria! E eu também não sabia nada! Mas soube imediatamente que podia confiar nela.

Foi logo na primeira reunião que tivemos que o tema ficou decidido! Divórcio. Só faltava saber que forma lhe dar. E escrever! Mas essa parte tocava-me a mim.

A verdade é que me senti uma fraude! Como é que eu podia dizer às pessoas como superar o fim de uma relação, se eu própria estava na merda? Mais... Eu sabia que não queria um livro lamechas. Nem pesado! Como é que eu ia ter disposição para escrever um livro positivo e divertido se a minha vontade, na altura, era enfiar-me debaixo dos lençóis e chorar até morrer?

Acabei por perceber que o caminho era aquele! Eu já tinha passado por um divórcio! Eu sabia qual era o caminho! Só tinha de o por mais uma vez em prática. E passá-lo também para o papel.


A Isabel não fazia ideia que eu estava a ressacar uma relação. E também não desconfiou que chegou à minha vida em forma de anjo da guarda! A escrita do livro obrigou-me a apressar o processo de recuperação. Obrigou-me a rever tudo o que eu sabia que tinha de fazer mas não tinha força nem vontade de começar. E assim foi. Os textos começaram a ganhar forma. O processo foi decorrendo.

Em 6 meses revi todo um processo de divórcio, revivi 5 anos de vida. Foi terapêutico, foi catártico.

No dia em que acabei o livro, quis lê-lo para ver como estava. Comecei às 18:00 e acabei às 2:00 da manhã. Fechei o computador, sentada na mesa da casa de jantar e chorei compulsivamente! De alegria, de dor, de emoção, de angústia, de alívio... Estava toda baralhada! Mas senti-me tão bem!

A Isabel foi, nos últimos meses da minha vida, a minha amiga, chefe, conselheira, irmã, mãe, sombra! Acho que falei mais com ela do que com a minha própria mãe ou amigas!

Depois veio a parte divertida! A parte criativa.

Um dia, ainda antes de imaginar que iria escrever um livro, tropecei na menina da saia. Não fazia ideia quem a tinha criado! Mas apaixonei-me à primeira vista por ela!

Assim que começámos a falar na capa do livro, eu sabia que era com a The Red Wolf que queria trabalhar. Foi tão fácil! Andei a ver milhões de ilustradores. Gostei de alguns. Mas nenhum me fez sentir o mesmo que eu sentia quando via as ilustrações da The Red Wolf. ( Um Obrigada à Homy Blog por me ter apresentado esta página!)

Até que falei com o Filipe! Expliquei-lhe que adorava a menina da saia. Que imaginava as pétalas da saia serem as minha palavras a voarem em direcção ao Mundo e às pessoas. Mas queria uma menina mais alegre para o meu livro. E o Filipe mostrou no primeiro telefonema que tinha mesmo de ser com ele. Percebi que estávamos mesmo em sintonia e tive a certeza disso quando mandou o primeiro draft.
(Fiquei ainda mais feliz quando percebi que eram do Porto! Exactamente como eu.)
Tal como com a Isabel, eles também estavam meant to be! Ao longo do percurso, o Filipe também se tornou um amigo e também fui percebendo que o seu talento era proporcional à sua grandeza enquanto pessoa.

Depois o Filipe precisava de uma fotografia para fazer a ilustração. E como este livro estava a ser feito de pessoas boas e de "amigos", também não podia fazer as fotografias com outra pessoa que não fosse o Pau Storch! Que também já era aquele que tinha mesmo de ser ainda antes de eu saber que ia escrever um livro. Só o Pau sabe a dificuldade que tenho diante de uma câmara. E só ele é capaz de me por à vontade! (um bocadinho à vontade, vá...) Só ele é capaz de captar imagens onde não se nota a minha tensão e o meu pânico. E só com ele me sinto à vontade para levar uma garrafa de vinho para a sessão. (E para poder dizer palavrões para aliviar.)





Tenho muita sorte! Este livro está cheio de mãos! E não são umas mãos quaisquer. Todas as pessoas que lhe tocaram, foram aquelas que eu queria, aquelas que não podiam deixar de ser, aquelas que trabalham não só com o talento que têm, mas também com o coração atirado para cima daquilo que fazem. E eu não sei trabalhar de outra forma! Por isso só posso sentir-me uma sortuda! E, como dizia na primeira linha, de vez em quando queixo-me! Mas queixo-me de barriga tão cheia!!!


Estou doida para que ele chegue às vossas mãos! E sei que isso só vai acontecer porque  houve muitas pessoas aqui metidas!




Por isso, quero agradecer imensamente à Isabel (e ao Pedro, à Madalena, à Rita e à Mafalda), ao Filipe, ao Pau (e ao Francisco, à Sara e à Raquel). A todas as pessoas que estiveram na produção e que eu nem as vi.

À minha família, aos meus filhos e às minhas amigas que tanto me aturaram! A vocês que tiveram uma reacção tão boa e o receberam antes sequer de o receber. À vida em geral que às vezes nos pregas partidas, mas logo a seguir nos devolve coisas boas! Tão boas!





Claro que não podia acabar sem vos pedir que vão aos eventos do Facebook dizer se vão ou não estar presentes nos lançamentos. Gostava mesmo muito que pudessem estar!

Para quem estiver pertinho de Cascais, pode ir aqui!

Para quem estiver pertinho do Porto, pode ir aqui!

Obrigada! Obrigada por estarem sempre aí tão pertinho de mim!

15/05/2018

A mãe gosta de ser mãe?

- Mas que pergunta!!! Claro que sim!!!
- É que nós damos muito trabalho! A mãe tem de lavar a nossa roupa, fazer o jantar, fazer as camas, tomar conta de nós...

É bom ele sentir isto! Nós, mães, estamos sempre a queixar-nos por não sermos valorizadas. Não vejo mal algum em ver o meu filho preocupado com o trabalho todo que tenho em casa. Até fico orgulhosa. Acho que eu só cheguei a esta conclusão, sobre a minha mãe, depois de ter tido filhos.


- Sim querido! Mas nem me apercebo que isso seja uma obrigação! A mãe nunca seria capaz de viver sem vocês, sem os vossos abraços, sem o vosso cheiro, sem a vossa voz, sem as vossas perguntas, sem as vossas caras... Até quando a mãe ralha com vocês, a mãe adora ser mãe! Até quando a mãe está cansada! Até quando tem de fazer o jantar e lavar a vossa roupa! A mãe adora ser mãe quando tem orgulho em vocês e quando está preocupada. Quando vos vê felizes e quando vos vê tristes. Quando vocês ganham e quando vocês perdem. Quando vocês estão alegres e quando estão zangados. Ser mãe é a melhor coisa que podia ter acontecido! E ser vossa mãe é a melhor sorte que me podia calhar.

Até quando estou doida para os por na cama para poder ter 5 minutos de paz eu adoro ser mãe! 

05/05/2018

Mais um filme com a minha viatura!

Digam lá que não estavam com saudades!
Desta vez trago-vos uma aventura digna de telenovela. Mete suspense, comédia e horror. Tudo a que a minha vida (e o vosso deleite) merecem.


5ª feira

8:10
Tenho os miúdos dentro do carro e preparados para irmos às nossas vidinhas. (Kikimobil já tinha ameaçado de véspera não pegar mas, tudo tinha acabado por correr bem.)
Carro não pega. Não responde. Nada! Surdo e mudo! Quieto e calado... Não temos muito tempo para pensar no que fazer. Temos horários a cumprir (que já estavam completamente esmagados). Vamos de Táxi! Deixei as crianças na escola. Fui para a minha escola. Logo pensava como ia resolver este ananás.

18:00
Consigo boleia com uma colega. Ela apanha os meus filhos e seguimos para casa. Rezo a todos os anjos e Santos para que o meu carro pegue à chegada. Nada!
Enfio as crianças em casa, chamo um reboque e aviso o mecânico que o carro vai chegar.
O homem do reboque chega.


Russo, careca e gigante, começa por insultar o meu mecânico e acaba afirmando que as mulheres só não têm o que não querem. (Como se o problema do carro não me fosse já suficiente, ainda tenho de aguentar isto...) Enfim... Põe-me o carro a trabalhar e manda-me ir à oficina trocar a bateria. Agarro nos miúdos, vamos direitos ao shopping, enfio o carro naquelas oficinas de shopping e peço para me trocarem a bateria.

21:00
O carro ainda não está pronto. Tenho duas crianças com banho por tomar, compras de supermercado no braço e ainda não me sentei o dia inteiro sem ser para guiar ou comer.
Temos novo diagnóstico!
- A bateria está óptima! O problema é elétrico. Tem de ir embora porque aqui não arranjamos nada disso.
- Então e se o carro não pegar amanhã?
- Reze!




6ª feira

8:00
Miúdos, mochilas... Cabrão do carro mudo e quieto outra vez.
Chama outro Taxi....

16:30
Consigo pedir uns cabos de bateria emprestados. Chamo um Uber. Vou a viagem toda a ganhar coragem para pedir ajuda ao motorista do Uber! Eu só precisava de ligar a bateria do meu carro para poder levá-lo à oficina e resolver isto de vez. O senhor muito simpático. Oferece-me rebuçados, dá-me água, fala do trânsito e do tempo. Lá ganho coragem e peço ajuda. Ele, muito simpático oferece-se imediatamente para ajudar!



17:00
Pára o carro dele ao lado do meu! Eu saio para abrir o capot. Estou a 5 segundos de pôr o meu carro a trabalhar e ir ao encontro da solução para o seu problema. Assim que pomos os cabos da bateria nos sítios certos.... O meu carro fecha-se! O MEU CARRO FECHA-SE! Tenho tudo lá dentro! A chave do carro, a chave de casa, o telemóvel, a carteira, OS CIGARROS, tudo... TUDO!



Tenho vontade de chorar! Encosto a testa ao vidro do meu carro e só penso... Não... Não... Isto não está a acontecer... O motorista do Uber olha para mim cheio de pena. Acho que ele também está quase a chorar!


- Uma pedra! Temos de arranjar uma pedra! Vamos partir o vidro!
- Tenha calma menina! Vamos pensar antes. Não resolva as coisas assim! Tome o meu telefone, ligue ao seu marido!
- Eu não tenho marido!
- Mas ligue para casa!
- Eu não tenho ninguém em casa...
- Mas não tem ninguém a quem ligar?
- Não! Eu não sei o telefone de ninguém! Não tenho chave suplente do carro. EU NÃO TENHO NADA!!!



E eu queria chorar! Oh se queria! Estava quase a roubar um abraço ao motorista do Uber... E um cigarro! Também queria muito um cigarro!

De repente, fez-se-me luz! O defunto! O defunto vai buscar os filhos e é o único número para além dos meus pais que eu sei de cor!



Muito bem, defunto a caminho. Mas é 6ª feira, há um Estoril Open a acontecer e é preciso enfrentar uma auto-estrada para vir buscar os filhos e, finalmente, chegar até mim.

Agradeço imenso ao motorista da Uber e mando-o à vida dele. Ele quer ficar comigo até chegar alguém, mas eu explico que não vale a pena.

Segue-se uma hora e trinta minutos de marasmo total! Tenho uns cabos de bateria numa mão, uma garrafa de água na outra. Uma hora e trinta minutos sem poder ir a lado nenhum! Não tinha dinheiro sequer para um café. Não tinha telemóvel. Não tinha CIGARROS. Nada... Não tinha nada...

Olhei para o céu. Contei nuvens. Segui formigas. Contei pedras da calçada. Pisei ervas. Volta e meia soltava uma gargalhada. Mas continha-me para não acharem que eu estava louca. Embora eu ache que estava mesmo!


18:30
Defunto chega com as crianças. Sinto um alívio enorme. Alguém com quem falar! Alguém conhecido! Alguém que me ature! Cabrão! Não tinha cigarros!
Claro que levei com o chá todo do "Só tu! e os vidros e o seguro e a bateria e o mecânico. Tu isto e tu aquilo" bla bla bla! Ah... Tão bom! É tudo o que precisamos ouvir num momento destes! Que somos uns vermes descontrolados, desorganizados e inconscientes! Isso! Que seria de nós sem defuntos na vida... Então defunto encarna o Holly spirit do MacGyver! Apanha paus e ferros e fios!



- Empresta-me o teu telefone para ligar aos bombeiros!
- Não! Tenho tudo controlado! É só por este pau aqui e passar o fio ali e depois puxar. Vai resultar.

18:40
- Vá lá... Deixa-me ligar aos bombeiros!
- Não! Já estou quase! Vou só por o pau mais para ali...



18:45
Defunto bate freneticamente com um paralelo da rua no vidro do carro. Nada.... Já tenho a vizinhança toda à janela. Um carro com dois paus espetados na porta e um defunto a atirar-lhe com pedras ao vidro.

18:50
- Sim? É dos Bombeiros? Obrigada! Até já!

Finalmente vinham os Bombeiros! Já não aguentava mais estar em pé. Já não aguentava mais explicar às pessoas o que se estava a passar. Começava a ficar com frio. Precisava urgentemente de um cigarro. E estava a ficar louca de fome. E o xixi?? Precisava tanto de fazer um xixi!!! Vicente divertia-se a procurar um lugar secreto para eu poder fazer um xixi sem ninguém ver. Mas... De repente...



19:10
Ao fundo da rua avistam-se os Bombeiros. Eu esperava uma carrinha pequena. Só um martelinho bastava para partir o vidro. Não... Vem um camião dos grandes. Seguido de uma carrinha do INEM.
Não quero acreditar na comitiva que chega. Vou a correr ter com os homens da ambulância avisar que é só um carro trancado. Tenho pânico que alguém precise do INEM e ele esteja ali.
- Tem de ser menina. Para o caso de alguém ficar ferido na abertura do carro.
- Oh meu Deus...


Os vizinhos já estão todos à janela! Já há telefones apontados a nós... Ainda falta o carro da PSP.
Os Bombeiros não podem arrombar o carro sem a presença da PSP.
Só que os rádios deles dão sinal de alarme!
Há um incêndio.
Onde?
À porta de casa do Marcelo.

Morar em Cascais dá nisto. Os Bombeiros ou estão em casa da Kiki ou em casa do Presidente da República.



- Menina! Vamos só ali apagar um incêndio e já voltamos!

Lá vão os Bombeiros e o INEM com as sirenes ligadas apagar o incêndio à porta de casa do Marcelo!
Mais uma hora à espera.... Os poucos vizinhos que ainda não estavam à janela, chegaram neste momento.

19:20
Chega a PSP.
- Os Bombeiros já cá estiveram, mas foram só ali apagar um fogo à porta do Presidente e já cá voltam!
- Vamos lá!

Quando eu digo que vivo numa aldeia e ninguém acredita! É isto...
Quem está a adorar tudo isto são eles! A Gigi e o Vicente!

Já temos um vizinho que acabou de se tornar o nosso melhor amigo. Já teve um carro igual ao meu e com o mesmo problema. Dá imensas ideias à MacGyver para resolver o problema. De repente acho que só eu é que me lembro que estamos à espera que os Bombeiros voltem.  Mas o senhor é uma simpatia e mantém o defunto entretido.

20:10
Os Bombeiros voltam. Mas agora não temos a PSP outra vez. Vejo um dos bombeiros a fumar.
- Posso pedir-lhe um cigarro? Desculpe.....
Ele ri-se!
- Deixe-me adivinhar... Os seus estão dentro do carro!
- Já viu que eu estou à porta deste carro há 3 horas e nem um cigarro?

20:15
Finalmente volta a PSP. Incêndio ao lado do Tio Marcelo resolvido! Agora falta abrir o meu carro. Estão 10 homens à volta do meu carro! De repente... A porta abre-se! Finalmente!!! Os bombeiros aproveitam a abertura da porta que o MacGyver fez com os paus para abrir o fecho com um ferro. Afinal não foi preciso partir o vidro.


A merda do carro continua sem ligar. Mas... Já ninguém aguenta mais nada hoje!
Sábado é outro dia!






27/04/2018

Entretanto, de que vale tudo isto?

Têm sido meses apressados. Na realidade, tem sido uma vida inteira apressada.

Ainda me lembro de ver a minha mãe com uma caixa de chocolates no colo, sentada à frente da televisão. A minha mãe odiava chocolate. Percebi naquele momento que vinha aí mais um irmão. Entretanto, passaram-se 26 anos. Mas eu achava que tinha sido ontem.

É matreiro o tempo. Um dia estás a cantar para as tuas bonecas, no dia seguinte estás a ver a tua filha cantar para ti.

E no entretanto? No entretanto cresceste, respiraste, constipaste-te, deste gargalhadas, comeste, dormiste, estudaste, apanhaste trânsito, levaste com chuva na cabeça, pisaste cocó na rua, recebeste presentes, foste injusta, foram injustos contigo, partilhaste abraços, beijos, choraste. No entretanto aconteceu uma vida.

Uma vida! Uma porra de uma vida! (A interpretação do "porra" pode divergir conforme a capacidade de optimismo vs pessimismo do leitor). É perigoso parar para pensar nisto. De que vale isto tudo? Independentemente de sermos pobres ou ricos, de sermos altos ou baixos, de sermos brancos ou pretos, de sermos do norte ou do sul, independentemente de tudo isso, todos nascemos e todos morremos. O que fazemos entretanto é fruto da sorte, da oportunidade e do trabalho. A verdade é que não escolhemos nascer, também não sabemos quando vamos morrer. Vamos tentando dar o nosso melhor enquanto isto ainda dura. Certo?

Esta merda passa incrivelmente depressa. Vamos dando graças pelo que vamos tendo porque sabemos que temos uma sorte incrível só pelo facto de termos nascido aqui! Podíamos ter nascido numa favela no Brasil, numa tribo em África, no centro de NY, num Palácio em Abu Dabi. Não! Nascemos aqui! Neste país. Nesta família. Com esta realidade. Vamos construindo o nosso caminho com as ferramentas que a sorte nos vai proporcionando. Tentando não partir nada à nossa volta com o nosso trabalho e tendo cuidado para não nos distrairmos quando as oportunidades se metem à nossa frente. Vamos interagindo uns com os outros. Umas vezes com todo o sentido do Mundo, outras vezes sem sentido nenhum.

Às vezes olho para a Humanidade como se tivesse um globo de neve na mão. Onde todos estamos! Nas nossas vidas. Umas melhores, outras piores. Todas com o mesmo começo, todas com o mesmo fim. Todos a tentar dar o nosso melhor durante esta passagem absurda (a palavra "absurda" pode ter a mesma divergência que a palavra "porra") pela Terra. Pela Vida!

Não sabemos muito bem o que cá fazemos. Mas, felizmente, temos a sorte de conseguirmos abstrair-nos desta questão no dia-a-dia. Por isso vamos vivendo. Com todos os altos e baixos. Com mais ou menos conquistas. Com mais ou menos Vida.

Continuo sem saber de que vale isto tudo. Continuo sem entender porque acontece cada coisa a cada pessoa. Como é que as oportunidades de manifestam e como escolhem a quem se manifestam. Continuo sem entender porque interagimos com determinadas pessoas e não com outras. Julgo que nunca alguém terá resposta para esta questão. Já que aqui estamos, vamos aproveitar! Já que vamos aproveitar, que seja em bom! Mas continuo a achar uma treta isto passar tão depressa.


17/04/2018

Daqui a 20 anos, os adultos não vão saber apertar um atacador!

Vivemos numa geração que aprendeu o valor da criança. A dar-lhe importância, a ouvi-la e a respeitá-la! Felizes os nossos filhos!!! Mas temos de ter cuidado para não cair na tentação de as colocar num pedestal fechado com uma redoma.
Os nossos filhos são muito mais escutados do que alguma vez fomos. Passam muito mais tempo com os pais do que alguma vez passámos. O que isso traz de maravilhoso, também traz de perigoso se as coisas não forem feitas com conta, peso e medida.
Quando a minha filha passou para o 2.º ano, dei-lhe uma carta de emancipação! Destranquei-lhe a porta do carro. Ela passou a sair sozinha do carro quando eu paro à porta do colégio. Passou a tirar o cinto sozinha, pegar na mochila, dar-me um beijo à pressa, eu atiro um “Adoro-te! Boa escola!” Para o ar (os nossos filhos também ouvem muitos mais “adoro-te!” do que alguma vez ouvimos!) e lá ia ela!!! Meia trôpega ao início... A tentar gerir a coisa, mas depois, fez-se à vida.
Claro que o mais novo foi logo recambiado do carro sozinho no 1.º ano porque a irmã já o fazia. É o que acontece com os mais novos. Andam a reboque dos irmãos.
Fico enervadíssima quando paro à porta do colégio e vejo mães a saírem do carro calmamente, a abrirem a porta aos filhos, a meterem-lhes as mochilas às costas. Ainda arranjam tempo para lhes apertar o casaco (não vá o pequenino constipar-se entre a porta do carro e a porta do colégio). Não mandam a criança embora sem ter a certeza que o cabelo está penteado, sem lamberem o dedo para lhes limpar um resto de leite do canto da boca e fazerem mil recomendações. Parece que estão a mandar o filho para a guerra, em vez de o mandarem para as aulas.
Ora.... Eu não veria problema algum nestes rituais matinais se a criança tivesse 5 anos! Mas ver fazer isto a crianças com mais de 1,10m de altura e ainda por cima enquanto empatam o trânsito com mais 10 carros a quererem largar crianças de forma saudável e autónoma e seguirem para as suas vidinhas, faz-me um leve arrepio na espinha! É uma pequena camada de nervos na superfície da pele.
Daqui a 15 anos, os meninos vão para a faculdade e as mães são capazes de ir até à estação para terem a certeza que eles apanham o comboio certo e validam o bilhete!

13/04/2018

Quando és Mãe Solteira obrigam-te a ser a Super Mulher!

Quando és Mãe Solteira, a única pessoa com quem podes contar é contigo própria. Isso cria uma enorme expectativa em relação àquilo que tens de ser capaz de fazer. Essa expectativa é criada pelos teus filhos porque não têm outro remédio! Mas também por ti própria porque... Enfim! Não tens outro remédio também.
O problema é quando a expectativa gerada não é proporcional ao tamanho dos teus braços. Acreditas que tens de chegar a todo o lado, cumprir com todas as exigências e fazer manobras acrobáticas para que nada falhe.
Quando és Mãe Solteira, és tu quem tem de saber onde está cada objecto perdido em casa. És tu quem tem de saber e decidir o que vai ser o jantar. És tu quem tem de se lembrar de qualquer actividade que os teus filhos tenham. És tu quem tem de ter dinheiro para pagar as contas todas. És tu quem tem de tratar das rotinas da casa. Das rotinas do carro. Do cão. Das doenças dos filhos. Das tuas próprias doenças. (Quando não finges que não estás sequer constipada porque uma Mãe, ainda por cima solteira, não tem tempo para constipações.) Quando és Mãe Solteira, és tu quem troca lâmpadas, faz a lista do supermercado, arranja a roda do skate, compra pilhas para o comando, rega as plantas, conta histórias e manda para o banho. És tu quem se chega à frente no campo de batalha. É contigo que discutes as preocupações do trabalho, do dia, dos filhos,  da carteira e do raio que o parta. É contigo que conversas antes de ir dormir. E isto não é no sentido figurado! Quantas vezes não dou por mim a falar em voz alta comigo mesma!!!
- Porra! Não apanhei a roupa!
- O carro está na reserva há dois dias, ainda vou ficar apeada...
- Foda-se! Esqueci-me de pagar a luz!
- Que é que eu faço para o jantar?
- Este armário está a precisar de uma arrumação...
Quando és Mãe Solteira, tens a mania que és a Super Mulher! Só que a merda é que não tens outra hipótese. Mesmo quando não te apetece sê-lo. Mesmo quando estás cansada e só te apetecia que te trouxessem uma sopa ao sofá, te descalçassem os sapatos e te adormecessem com festas na cabeça. A roupa não se lava sozinha, os filhos não se alimentam sozinhos. A vida não corre sem ti! Lá fora sim, mas não dentro da tua casa.
Hoje era um daqueles dias em que me apetecia ser filha. Ou então não ser o único adulto responsável aqui dentro.

04/04/2018

Foi descoberta a profissão mais perigosa do Mundo!

Nessa profissão, o sujeito é posto em contacto com uma das mais perigosas espécies da Terra! 



Crianças! 




Todos os dias ele é exposto a vários tipos de fluidos corporais altamente contagiosos. 
 

E nem todos saem pelo nariz.




O sujeito também está em constante contacto com odores extremamente fortes e nocivos para a saúde. 


Nem sequer lhe é permitido usar protecção. 




Durante 8h do seu dia e 5 dias da sua semana, esta pessoa está permanentemente a lidar com ruídos ensurdecedores, pondo em causa a saúde do seu tímpano. 



Mas ele é extremamente corajoso pois dispensa o uso de auriculares protectores de som.



Duas vezes por dia, este herói tem de enfrentar duras batalhas, certificando-se de que essa espécie é devidamente alimentada.


A espécie é muitas vezes encorajada a fazê-lo sozinha.




E nem sempre corre como planeado!




Há momentos do seu dia em que o sujeito é submetido a uma enorme pressão, tendo de manter o silêncio durante algumas horas, vigiando cada um dos pequenos elementos.


Certificando-se que nenhum membro da matilha perturba os outros membros. E vigiando qualquer distúrbio que possa interromper o único momento de silêncio dentro do habitat natural desta espécie. 




Algumas vezes por dia, este profissional é chamado a entrar em acção! 



Devidos a distúrbios causados. Quase sempre devido à cobiça de brinquedos alheios. Ou chupetas. Ou colo. Muitas vezes também é devido a nada de especial. 





Este profissional também tem de estar extremamente bem preparado para lidar com situações de stress. 




Nomeadamente as recomendações dos progenitores desta perigosa espécie. 




Não é fácil ser Educador de Infância!!!

(Nem Auxiliar, que eu já sei que vou ser acusada de ser extremamente injusta por falar apenas enquanto educadora sendo que eu sou educadora e não auxiliar e por não falar nestas pessoas tão importantes no nosso dia-a-dia e por isso vou já dizendo que as auxiliares são extremamente importantes e que sem o seu apoio nós não éramos ninguém e que elas também têm uma das profissões mais perigosas da Terra! Sim! Sem vírgulas.)

Mas a Agência Mundial das Profissões mais Perigosas do Planeta, veio já informar que, se não tiverem cuidado, perderão a posição de liderança para os seguranças do Donald Trump.