29/09/2012

'Pró menino e 'prá menina! Ou não?

Antigamente, os rapazes brincavam com bolas, piões, carrinhos e comboios. Ponto!
As meninas, brincavam com bonecas, cozinhas, tricot, e costuras. Ponto!
Nem elas entravam no mundo deles, nem eles entravam no mundo delas. Ai deles!!! Principalmente quando eram eles a entrar no mundo delas. 
A sociedade estava pré-formatada. Os meninos/homens serviam para uma coisa, as meninas/mulheres para outra. As coisas evoluíram e hoje em dia, já não há problema quando uma menina brinca com bolas ou com carrinhos ou quando um menino brinca com bonecas. Antes pelo contrário! É bom que os meninos brinquem com bonecas e com esfregonas para um dia, quando casarem, não terem medo de partilhar tarefas. A mulher já não serve só para cuidar de crianças e da casa. Também trabalha! E bem mais do que o homem já que trabalha fora de casa e dentro dela. O problema é que apesar de tudo isto, de todas estas mudanças (evoluções?), ainda há resistências quando se vê um rapaz a brincar às bonecas. Mais do que quando se vê uma rapariga a jogar à bola! A questão é, qual o limite? Quando é que deixa de ser normal e passa a ser estranho (diferente?).
Nesta casa há muito mais brinquedos de rapariga do que de rapaz. É normal! A Gigi tem mais dois aniversários e mais dois Natais do que o Vicente! Um dia ele há de a apanhar. E o que é certo é que ele adora brincar com ela. E se ela brinca com as bonecas e os chás, ele brinca também. Adora andar de esfregona em punho pela casa! Não me faz a mínima confusão. 
Mas esta manhã, a Gigi andava com a sua malinha de maquillagens à procura de uma vítima. E o Vicente, ainda meio febril e estirado no sofá, pareceu-lhe uma óptima opção! E ele não se fez rogado! E de repente, tinha o meu filho varão com purpurinas e baton espalhados pela cara. Claro que me ri com a cara de palhaço dele! Mas... Hum... Menos meus filhos, menos!

E depois comecei a pensar... E se? O que é que eu faria? O normal é idealizarmos os filhos tal como a Natureza os criou (ai sim?) ou tal como a sociedade está formatada. Os meninos são médicos, engenheiros, professores, advogados, chefs de cozinha, canalizadores, pilotos de corridas e casam com meninas. As meninas são professoras, médicas, bailarinas, educadoras de infância, floristas, cabeleireiras e casam com rapazes. 
Se o meu filho um dia me disser que quer casar com um rapaz, ou ela com uma rapariga, confesso que não vou estar preparada. Mas um filho é um filho não é? É suposto estarmos cá para tudo e por tudo! O nosso amor não é incondicional? E quando o amor é incondicional, não é suposto o respeito ser incondicional também? E amar um filho é dar-lhe asas, não é? É deixá-lo fazer escolhas! E respeitar essas mesmas escolhas! Se um filho nosso perdesse um olho ou ficasse surdo, não o íamos amar da mesma forma? Então e se, afinal, o nosso filho fosse gay? É uma característica como outra qualquer, não é? Gosta de música clássica, gosta de bife com batatas fritas, gosta de andar de bicicleta e gosta do mesmo sexo. Sim... Continua a soar a estranho... Tenho alguns amigos gays. E não gosto menos deles por causa disso. Porque razão ia descriminar um filho? É um assunto muito delicado e pessoal. E acho que só passando por isso é que uma pessoa saberá como reagirá. Mas de uma coisa tenho a certeza, sejam quais forem as opções dos meus filhos, eu estarei aqui para eles, por eles, até ao fim do mundo! 
Prefiro claro que casem com o sexo oposto e tenham filhos lindos e sejam muito felizes! Mas se o caminho da felicidade deles for outro, eu estarei cá para isso! Mãe é mãe!

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11 comentários:

Mum's the boss disse...

É isso tudo :)
Amas os putos por aquilo que são e não pelos gostos deles ou por um desejo que é teu... e não deles!
Ta melhor a pulga?

Mary disse...

Eu não me ralo se os meus filhos forem homossexuais, o que me rala é ter que aturar a sociedade a falar e a apontar o dedo mas por um filho acarreto com isso! Que seja feliz!
Eu tenho amigos gays, inclusive tenho duas amigas lésbicas que têm um bebé (através de dador). Por isso ser homossexual já não implica não ter filhos.
Espero que quando chegar a altura dos meus filhos serem pais, se eles quiserem ser gays, terem a hipótese de adoptar, porque se há coisa que gostava mesmo muito era ter netinhos, e isso sim é que teria pena de não ter, sejam eles hays ou hetero.

Maria de Lurdes disse...

Aquilo que me causaria mais dor na orientação sexual do meu filho, caso ele seja homossexual, seria vê-lo a passar por discriminação ou homofobia ou critica da sociedade em geral por isso. Espero que quando ele seja maior este já seja um assunto menor, mas não me parece. A aceitação pela sociedade ainda não existe n existira tão cedo, tolera-se... E isso é o que me causaria dor... É que ser homossexual não é como gostar de bife com batatas fritas, não é um gosto ou uma escolha, ou uma preferencia, a orientação sexual nasce connosco, nós não nos tornamos gays, nós somos ou não somos. Ninguém no seu juízo perfeito acorda um dia e diz, "olhem, eu até gosto é de rapazes" Nós já nascemos assim e nos vamos criando muitas vezes assado. A inevitabilidade da orientação sexual é o que me serena, porque se o meu filho me confiar essa revelação e eu o puder ajudar a aceitar-se melhor e a ser mais bem aceite, já terei feito muito, não deve ser nada fácil...

Borboleta disse...

Ora nem mais. Já basta a sociedade recriminá-los. A família terá sempre de ser a primeira a apoiar. Beijinhos

Isabel Flores disse...

Os filhos não são nossos, não nos pertencem. Nós temos o dever de os ensinar, preparar e amar para terem armas para enfrentar o mundo. O resto é com eles. O que me assusta é o que poderão ter que enfrentar nesse desbravar do mundo pelo caminho que escolherem. E que sejam felizes!

Anónimo disse...

Eu nao queria ter filhos gays muito sinceramente, mas se assim acontecer cá estarei para apoiar no que for preciso e o amor logicamente n mudaria..mas feliz não não..

Anónimo disse...

Sempre pensei que o que mais dói é conhecermos a dor por que os filhos eventualmente passarão. As guerras que, querendo ou não, vão ter. Os comentários parvos, os olhares de soslaio. E qualquer mãe quer evitar isso, certo? Secretamente, acho que esperamos que os nossos filhos sejam o que são, mas se possível dentro de certas "normas", porque pancada da vida já eles vão apanhar, por isso quanto menos, melhor. É ser mãe galinha, e querer proteger. Mas claro que eles vão ser sempre como são, certinhos ou revoltados, meninos de coro ou rebeldes sem causa. E nós lá estaremos.

Ana

**SOFIA** disse...

imaginar que de alguma forma os meus filhos se possam sentir marginalizados e excluídos é das coisas que mais me angustia :((

Marisa Luna disse...

Muito bom!
Adorei este post e concordo contigo em pleno.
Cá em casa, também tenho 1 rapaz e 1 rapariga e brincam os dois juntos às brincadeiras de ambos. E, quando assim é, o resultado é fantástico.
Se bem que, agora que ele já tem 9 anos, começa a ficar um bocadinho mais "machista!?".
Beijocas

Lina disse...

Eu, como quase toda a gente aqui, acho que o pior de serem gays é serem tratados de forma diferente. E fico a pensar que isso só aumenta a nossa responsabilidade agora enquanto eles não são gays nem heterossexuais. Sermos exemplos de tolerância para com os filhos dos outros e para ensinarmos os outros. Muito fácil de dizer, muito mais difícil de concretizar! :)

30anoseumblogue disse...

Custa-me imaginar, não por mim, mas pela relação de inferioridade, pela discriminação e pelo tratamento de que iria ser alvo. Mas a verdade é que não somos diferentes nem especiais e um dia podemos ter um caso bem pertinho. Como dizes, Carolina, Mãe é Mãe e acima de tudo também eu estaria ali bem perto para ajudar... beijinhos