17/09/2018

A Linha do Horizonte

Quando se trabalha em creche e pré-escolar é fácil ter tempo. As metas curriculares existem, mas a forma como atingimos os objectivos é livre. Cada Educadora põe o seu cunho, descobre as suas estratégias e vai fazendo o seu trabalho que é fazer florescer aqueles mini-seres-humanos da forma mais adequada que encontrar.

É fácil parar uma manhã de trabalho para ir espreitar as formigas que apareceram inadvertidamente na nossa janela e aproveitar esse importante acontecimento para contar quantas formigas estão (matemática), descobrir palavras que rimam com formiga ou quantas sílabas cabem naquele nome (leitura e escrita) e, já agora, perceber o que elas andam a fazer e para onde se dirigem (estudo do meio). Ao mesmo tempo explicamos que não devemos matar as formigas e explicamos que todos podemos observar mas cada um tem de esperar pela sua vez (formação pessoal e social). E assim se vai trabalhando com os mais pequenos. Usando a nossa sensibilidade para percebermos quais os momentos que devemos agarrar para tornar as aprendizagens mais ricas e significativas.

Depois as crianças saem para o 1.º Ciclo e tudo muda. Os professores são pressionados pelos exigentes (e completamente desadequados) programas curriculares e tanto eles como as crianças entram em apneia profunda até saírem da faculdade.

Este fim-de-semana estávamos na praia...

- Mãe, sabe como se chama aquela linha entre o mar e o céu?
- Como?
- É a linha do horizonte!
- Uau querido! É mesmo! Onde aprendeste isso?
- Na escola!
- A sério? No ano passado?
- Não! Este ano.
- Estás a ver? Ainda agora começaste e já aprendeste uma coisa importante.
- Sim! Estávamos na aula de matemática e um menino disse à professora que conseguíamos ver o mar pela janela. E a professora disse para irmos todos à janela espreitar e depois ensinou-nos a linha do horizonte.

Fiquei feliz! Fiquei mesmo feliz! Encheu-me o coração saber que o meu filho tem uma professora que, mesmo em apneia (apesar de ainda estarmos no princípio do ano lectivo), pára uma aula de matemática para ensinar na janela da sala o que é uma linha do horizonte.

Era bom que todos os professores dessem as aulas assim, com tempo e sensibilidade para vir à tona daquilo que é significativo para eles, buscar um pouco de ar para aguentarem a apneia dos currículos das aulas.

11/09/2018

Quando tentas odiar uma pessoa que adoras!

Depois de uma discussão (já nem me lembro porquê...) saiu a reação melodramática que a ocasião exigia! Dizem que é saudável os irmãos serem assim e eu tento não me meter porque acho importante eles conseguirem zangar-se e fazerem as pazes entre eles.

- Odeio-te! Quem me dera ser filho único!
- Então se calhar é melhor não falarmos mais.
- Olha! Óptima ideia!!! A partir de hoje não falo mais contigo!!!!!!!!!
- Vamos combinar não falar durante uma semana?
- Não! 5 dias!
- Uma semana!
- Já disse que não! 5 dias!!!
- Está bem então. 5 dias.
- E quem perder?
- Quem perder faz uma massagem ao outro!
- Ok!
- Começamos agora?
- Não! Temos de contar!
- Eu conto até 3!
- Está bem!
- 1, 2, 3!
- Não disseste “agora”!
- Está bem! Vou contar até 3 e dizer “agora”. 1, 2, 3, AGORA!
- Mas já deixámos de nos falar?
- Já! Eu já disse “Agora!”
- Está bem!
...
- Posso só interromper para perguntar uma coisa?
- Diz!
- Quem perder faz uma massagem ao outro, certo?
- Sim! Já tínhamos combinado isso!
- Era só para confirmar.
...
- Hum! Hum, Hum, Hum!
- O quê?
- Hum, Hum, Hum!
- Não estou a perceber nada!
- Eu não posso falar! Era só para saber se queres ver televisão quando chegarmos a casa.
- Ahhhh! Sim! Pode ser!

03/09/2018

Confia!



Este post é especial! É escrito para todos os pais que vão entregar os seus filhos na escola.

Este post é para ti que vais deixar o teu bebé pela primeira vez e tens o coração pequenino e cheio de dúvidas.

Este post é para ti que vais deixar o teu filho numa escola nova pela primeira vez e tens a barriga às voltas com receio do que ele vai sentir.

Este post serve para te abraçar e garantir que tudo vai correr bem!

Quero que saibas que as pessoas que o vão receber estão lá para o abraçar quando ele precisar e para te dar a mão enquanto ele crescer.

Quero que saibas que as pessoas que o vão acolher vão aprender a conhecê-lo e vão saber exactamente o que ele precisa.

Quero que saibas que as pessoas que vão cuidar dele não te vão substituir mas vão complementar-te.

Quero que saibas que o teu filho está prestes a conhecer um Mundo novo. Um Mundo onde vai poder descobrir de que são feitas as coisas, onde vai poder explorar as suas capacidades, onde vai poder conhecer as suas emoções, onde vai poder adquirir as competências necessárias para poder construir-se a si próprio.

Quero que saibas que as pessoas que o vão receber vão precisar que confies nelas porque também vão precisar de confiar em ti.

Quero que saibas que ninguém melhor do que tu conhece o teu filho e que essas pessoas vão adorar passar a conhecê-lo quase tão bem como tu.

Quero que saibas que, quanto mais tranquilidade passares ao teu bebé na hora de o entregar, mais tranquilo ele se vai sentir quando passar para o colo da Educadora ou da Auxiliar.

Quero que saibas que é importante que ele sinta da tua parte que confias nas pessoas a quem o entregas e que isso pode fazer toda a diferença na hora de ires embora.

Quero que saibas que é importante abraçares o teu filho e despedires-te com carinho e sem pressas em vez de saíres de fugida quando ele estiver distraído. Mas também é importante que não prolongues demasiado a despedida e que o faças de forma positiva.

Quero que saibas que é importante ires buscá-lo, sempre que possível, à mesma hora para que ele possa antecipar a hora da tua chegada.

Quero que saibas que o facto de ele não chorar quando fores embora não significa que não goste de ti.

Quero que saibas que o facto de ele chorar quando fores embora não significa que não goste do sítio onde está.

Quero também que saibas que o facto de ele não chorar no primeiro dia, não quer dizer que não chore no segundo ou no terceiro.

Quero que saibas que todas as crianças precisam de um tempo de adaptação e que esse tempo não é igual para todas.

Quero que saibas que o facto de ele chorar nos primeiros dias não quer dizer que vá chorar para sempre.

Quero que saibas que, na maioria das vezes, eles deixam de chorar nos primeiros 60 segundos depois de ires embora e ficam óptimos e felizes o resto do tempo.

Quero que saibas que é normal que ele volte a chorar assim que te vir chegar porque vai lembrar-se da quantidade de saudades que teve tuas durante o dia, mesmo que se tenha divertido imenso.

Quero que saibas que há crianças que têm uma adaptação espectacular e não choram nunca e que o teu filho pode ser um desses.

No fundo, quero que saibas que as pessoas que o vão receber sabem de cor e salteado todos os panoramas possíveis e que estão preparadas para eles.

No fundo, quero que saibas que, no fim, corre sempre bem!

No fundo, no fundo, quero só pedir-te que confies! Quero só dizer-te que nós, Educadoras e Auxiliares, sabemos exactamente que o teu coração fica pequenino nestes dias. Que estamos lá para dar muito amor ao teu filho e para te dar alento sempre que precisares.

Queria só dizer-te uma coisa: Confia!

Vai correr tudo bem!

23/08/2018

Sobre voltar!

Acordámos em casa. Três semanas depois voltámos finalmente ao nosso ninho. Voltámos aos nossos cheiros, aos barulhos da nossa casa. Aos pequenos-almoços na varanda. Às torradas na nossa velha torradeira. Ao nosso sofá.
Não há nada melhor de que sair do nosso espaço. Ver coisas diferentes, conhecer pessoas, sentir algo pela primeira vez. Mas também é bom termos um sítio para onde nos sabe bem voltar.
Devagar regressamos à rotina, preparamo-nos para um novo ano.
Enquanto passo o aspirador no chão, onde ninguém pisou durante três semanas, passo também a revista aos pensamentos. Faço planos, revejo tudo o que aconteceu no último ano.
Há um monte de roupa para arrumar da mesma forma que temos um monte de novos "nós" para por no lugar também.
A mãe muda de ano com os seus bebés, eles mudam de escola, ela muda de ciclo. A vida está em constante mudança e sabe bem voltar a casa para receber e preparar essas mudanças.

Foram umas férias maravilhosas, mas não há nada melhor do que voltar! Mesmo que seja para a velha torradeira e para o sofá com almofadas gastas de tanto colo que nos dão.

17/08/2018

Primeiro estranha-se! Depois entranha-se!





Não sei se alguma vez Fernando Pessoa passou pela Tailândia, mas tenho a certeza que se teria expressado exactamente da mesma forma como se expressou em relação à Coca-cola.

Foi assim que me senti lá! Primeiro estranhei, depois, definitivamente, entranhei.

Nunca tinha estado na Ásia. Provavelmente, uma passagem de 12 dias pela Tailândia, não fará de certo com que eu passe a conhecer a Ásia, mas faz de certeza com que queira mais e mais.

Parti sem grandes expectativas. Esperava muita confusão, comidas estranhas, pessoas diferentes. Foi de facto o que encontrei, mas não foi, nem de perto, tudo o que encontrei.

Depois de dois longos vôos com escala no Dubai, cheguei finalmente a Bangkok. À minha espera tinha o abraço do meu irmão e da minha cunhada logo na saída dos desembarques. Vivem lá há um ano e meio e isso fez com que não pesquisasse absolutamente nada sobre a cidade. Sabia que ia ter os melhores cicerones do Mundo. Entreguei-me!

No táxi, a caminho de casa, levei logo com uma lição de protocolo e cultura. Talvez por já me conhecerem e saberem que a possibilidade de cometer uma gafe era grande, ensinaram-me logo várias coisas sobre a cultura tailandesa.

O Rei é a figura mais importante daquele país, a seguir vem a religião. Dizer mal do Rei dá pena de 3 anos de cadeia. O Rei que está neste momento a governar é filho de um Rei idolatrado por aquele povo que esteve 70 anos a reinar. A Rainha é a mãe do actual Rei. Diferente do habitual.
Os asiáticos acreditam que a cabeça é a parte mais sagrada do corpo e por isso, não se pode mexer na cabeça das pessoas. Se virem uma criança fofinha na rua, por favor, resistam àquela festinha calorosa na cabeça da criança. No nosso país é sinal de afecto, no deles é sinal de má-educação, desrespeito e más energias. Se vos cair uma moeda ao chão, por favor não a pisem para ela parar de rolar. Podem ter o azar de calhar a cara do Rei virada para cima e tudo o que não vão querer é espezinhar a cara da figura mais importante do país. Os asiáticos não são pessoas físicas. Enquanto nós, latinos, gostamos de apertar os ossos uns aos outros e de espetar belas beijocas quando cumprimentamos até os desconhecidos, eles não vão nessa onda. Juntem as mãos (como se estivessem a rezar) à frente do nariz e saúdem com uma vénia. Quanto maior for a vénia, maior o sinal de respeito ou agradecimento. A forma como eles o fazem é tão calorosa e generosa que garanto que vão sentir-se abraçados sempre que um tailandês vos fizer um cumprimento.




Para começar, vamos aprender a cumprimentar e a agradecer. (Não é fácil! Demorei 5 dias a conseguir decorar a entoação certa!)

Para um Olá, Bom dia ou Boa noite, usamos o "Sawadee Ka" (com a vénia ao mesmo tempo). A pronunciação correcta é Sáuádíká. Quanto mais arrastarem o "ka" no fim, mais caloroso é o cumprimento.

Mais difícil é o Obrigada. Kob Kun Ka! Mais uma vez com a vénia ao mesmo tempo. Se as mãos estiverem ocupadas, baixem só a cabeça. Aqui também arrastamos o Ka para mostrar que estamos meeeeeesmo agradecidos.

As mulheres usam o Ka, os homens usam o Krap.

Quanto à comunicação... Bem! Esqueçam o British accent que aprenderam na escola e o American accent que aprenderam nos filmes. O inglês deles é muito Thai e vai ser difícil perceber tudo o que dizem. Na verdade, ao ouvir o meu irmão a falar com eles ao princípio, deixou-me estarrecida! Achei que ele já falava tailandês. Nada disso! Era só inglês com a pronuncia deles. Estão a ver quando falamos com um brasileiro que não mora cá e abrasileiramos a conversa no vocabulário e na pronuncia para eles nos entenderem melhor? Lá é igual! Simplifiquem as frases, falem pausadamente e usem a mesma pronúncia que eles.

Em vez de: Hello! Can I have a coffee please?
Vai um: Sawadee Kaaaaaa! Coffee please!




Ah! O tema do café também dá um parágrafo inteiro! Nós, os portugueses, estamos habituados à bica! Café em chávena pequena com bastante espuma, forte e quente! Aquele café a meio da manhã e a seguir às refeições para fazer o cérebro funcionar. Lá é muito difícil arranjar um café assim. Temos de, em primeiro lugar, encontrar um sítio onde vendam café expresso, depois, pedir um "expresso, one shot, long, no ice" Caso contrário, recebem um copo de refresco com meio litro de café cheio de gelo.

Por falar em gelo. O calor não é muito, mas a humidade é imensa. O que faz com que o calor que sentimos seja insuportável. Sempre que saía de casa de manhã, levava uns minutos a conseguir habituar-me e a respirar como devia. Na rua há vendedores ambulantes a vender comida e fruta em todas as esquinas e a qualquer hora do dia. Vão experimentar a melhor fruta que já comeram na vida. E uma variedade impressionante. As mangas e a melancia nunca mais vos vão saber ao mesmo depois de experimentarem as de lá. Podem comprar a fruta inteira que eles vendem descascada e cortada na hora, ou em sumo que espremem na hora também e vem cheia de gelo. Não há melhor para repor líquidos e açúcares que desaparecem do nosso corpo à velocidade da luz por causa do calor. Provem o mangustão, a toranja, o dragon fruit. Há vendedores que vendem as frutas misturadas para fazer sumo. Que smoothies maravilhosos aquela terra tem!

A comida é simplesmente maravilhosa! A cada garfada que se mete na boca, é preciso tempo para apreciar todos os sabores que explodem no nosso paladar. Entre o doce, o salgado, o picante, as texturas diferentes... Não é possível explicar a quantidade de sensações que são sentidas em cada dentada. Atenção a quem é sensível ao picante. Os tailandeses usam malaguetas em vez de sal. Quando dizem que determinado prato não é picante (spicy), estão a falar pela bitola deles!




Preparem-se para fazer muitos kms por dia. A cidade é tão grande e tem tanta coisa para ver que não paramos um segundo. Preparem-se também para um mínimo de dois duches por dia por causa do calor. Mal saímos de um, temos logo vontade de tomar outro. Por isso, levem muitas mudas de roupa.

Para se deslocarem existem várias opções. O metro, o comboio (BTS), táxis, tuktuks, motas. Atenção aos tuktuks! São muito bonitos e típicos, mas são a preço de turista. Além do mais, o trânsito é tanto, mas tanto, que vão ficar horas enfiados no Tuktuk a levar com o fumo dos carros e autocarros em cima. Os táxis também não são a melhor opção por causa do trânsito. Os táxi-mota são a melhor escolha. E vão ver muitas paragens de motas espalhadas pela cidade. Eles usam um colete cor-de-laranja, são muito fáceis de identificar. E também é muito barato além de ser muito mais rápido porque passam no meio dos carros no trânsito. Aliás, falando nisso, preparem-se! O sentido do trânsito é ao contrário do nosso, só isso já faz alguma confusão. As motas serpenteiam o trânsito no meio dos carros, muitas vezes em sentido contrário e ainda por cima SEM capacete. Tive alguns ataques cardíacos ao princípio mas ao fim de dois ou três dias já estava habituada. O truque é pensar que eles fazem aquilo todos os dias, por isso sabem o que fazem. Confiemos! Neles e em Deus!
À noite, para irem jantar fora ou sair à noite, podem usar o Grab (aplicação igual à Uber). Tem a vantagem de poderem escolher se querem carro ou mota ou se querem um carro para mais do que 4 passageiros. Podem também escolher pagar em dinheiro ou cartão de crédito e já sabem antes da viagem quanto vão pagar. Assim evitam os enganos dos taxistas normais.

Atravessar a estrada também é uma aventura! Haver uma passadeira não significa que os carros parem! (Não se esqueçam de olhar para direita primeiro! O sentido do trânsito é ao contrário do nosso!) O melhor é respirar fundo, por uma mão à frente a pedir para pararem e avançar sem medos! Em Roma, sê romano!

Para comunicarem com a família pelo WhatsApp ou actualizarem as redes sociais, aconselho-vos a comprarem um cartão SIM tailandês. Podem comprar em qualquer loja de conveniência (há mil espalhadas na rua), há cartões próprios para turistas, só precisam de mostrar o passaporte. O cartão custa 300 Bhats (cerca de 7€) e funciona durante 8 dias com internet ilimitada e chamadas grátis para números tailandeses.

Há milhões de templos para visitar. O meu irmão levou-me a 3 que valem mesmo a pena. O Templo do Buda reclinado (Wat Pho), o Golden Mount e Ayutthaya. Os dois primeiros ficam no centro da cidade, embora em sítios diferentes, o último fica a uma hora de caminho. É possível contratar visitas guiadas ou um motorista privado para fazer esse passeio. Quando visitarem os templos, não precisam de tapar a cabeça. Mas não podem ter os joelhos nem os ombros de fora. Podem levar saias ou calções desde que tapem os joelhos. As mangas podem ser até bastante curtas, desde que não sejam cavas. Levem um lenço na mochila para cobrir os ombros ou para por à volta da cintura tipo canga da praia. Nos jardins dos templos andamos calçados, mas dentro dos templos, temos de tirar os sapatos. Aconselho levarem sapatilhas com meias (pezinhos) para não terem de andar com os vossos pés descalços em cima do chulé dos turistas todos que lá andam.

Há muitos shoppings em Bangkok! O MQuartier e o Emporio são shoppings de luxo. Mesmo luxo! Com lojas YSL, LV, Cartier, Prada e afins. Até stands da Bentley e Rolls Royce encontram! Depois há o MBK que é obrigatório pela experiência em si. Imaginem um Martim Moniz com ar condicionado e distribuído por 7 andares! Lá podem comprar roupa, artesanato, tecnologias e gadgets, comidas e tudo e tudo e tudo e tudo! Não há descrição possível para o ambiente deste shopping e para tudo o que lá podem encontrar. Outro shopping que adorei foi o Terminal 21. O conceito do shopping está muito giro porque cada andar tem o tema de uma cidade diferente e está decorado em função disso e também está dividido por secções. Um andar para homem, outro para senhora, outro para criança, decoração, etc. Tem lojas muito giras com coisas lindas e diferentes.




Claro que também há os mercados. E claro que também são obrigatórios! Os mercados, por norma, funcionam de 6ª feira a Domingo. Há os mercados noturnos e os de dia. Um mercado nocturno obrigatório, é o JJ Green Market. É um espanto!!! Imaginem uma LX Factory mas quem dera a LX Factory ser aquilo. Tem uma zona de comidas do outro mundo que não acaba! Com todo o tipo de street food que podem imaginar e também coisas que nunca imaginariam. (Sim! Aqui encontram larvas e baratas fritas!) mas também encontram os melhores Dim Sum de sempre e as melhores espetadas de porco e tanta coisa maravilhosa!!!! No fim do mercado existem uns armazéns (tipo LX Factory) a vender velharias. E aqui é outra vez para perder a cabeça! (Tinha trazido três contentores cheios para casa se pudesse). A proximidade da Tailândia ao Vietname faz com que haja milhões de coisas do tempo da guerra. Desde motas, carros, mobílias, objectos, roupas daquela época. Imensa coisa muito americana dos anos 50 aos anos 70. Tanta coisa maravilhosa e linda!
Outro mercado para comprarem presentes é o Chatchuchak Market. Este mercado tem 20.000 mini-lojas. Muito dividido por áreas também. Roupa, decoração, artesanato e também uma área reservada a artistas e pequenas marcas locais. Aqui, havendo possibilidade, é levar uma mala de viagem para encherem de compras.

As praias ficam longe de Bangkok. A menos que tenham muitos dias de férias e oportunidade para alugar um carro e fazer muitos kms, a forma mais fácil (e barata! Comprem os vôos na Asia Airlines) é de avião. Estive perto de Krabi. Um paraíso prometido pela maior parte das fotografias dos postais tailandeses. O único problema foi ter ido na pior altura (Agosto). Apesar do calor e da água a temperatura bastante convidativa, apanhei muitas chuvas torrenciais. A água, por norma transparente, não estava nada transparente e as ilhas verdejantes do horizonte dos postais estavam cinzentas e cobertas de neblina. Claro que não deixou de ser um sonho! Mas, quem não for Educador de Infância e puder tirar férias fora de Agosto, vá no nosso Inverno para apanhar a melhor altura. A partir de Outubro já é seguro apanhar bom tempo. Dicas? Mesmo com o céu encoberto e com creme factor 50+ apanhei um escaldão. O sol é mesmo muito forte! Se forem na altura do bom tempo, não se esqueçam de besuntar o corpo muitas vezes com um factor muito alto. A rebentação das ondas (quem costuma ir ao Guincho acha a rebentação de lá absolutamente ridícula!) tem muitos corais partidos. Doi nos pés a entrar na água. Eles vendem sapatos próprios para tomar banho no mar em todas as esquinas. Não percam o por do sol num dos bares da praia com uns petiscos bem tailandeses. Alguns bares têm música ao vido e um ambiente espectacular!

Os elefantes são uma das maiores atrações do país. E claro que são uma das mais apetecíveis! Mas atenção. Os animais são muito explorados em muitos sítios. Por favor não compactuem com os passeios de elefante, seja na selva, seja na cidade. Os animais são muito mal tratados nesse tipo de atrações. Eu visitei um santuário de elefantes onde são acolhidos elefantes resgatados de fábricas (usados para transporte de madeiras) e de locais turísticos. No santuário eles vivem em liberdade (controlada e fechada), comem quando querem, tomam banho em lagoas e brincam na lama. Foi a maior experiência da minha vida! Pude contactar de muito perto com eles que estão habituados aos humanos. Dei-lhes fruta, muitos abraços, passeámos pela mata e no fim ainda pude tomar banho com eles na lagoa. Foi uma experiência tão intensa e bonita que não tenho palavras para descrever. Acho que foi o melhor dia da minha vida!

Em jeito de resumo, só vos posso dizer que a Tailândia foi uma surpresa maravilhosa! As pessoas são incríveis! De uma simpatia e vontade de agradar incríveis. Senti-me dentro de um documentário do National Geographic o tempo todo. Num momento estamos numa rua cheia de prostitutas, no momento seguinte estamos em frente a um arranha-céus moderníssimo. O contraste é impressionante! As cores, os cheiros, o barulho. Há sempre música! Há sempre trânsito! Há sempre calor! O cérebro está constantemente a processar informação. Constantemente a absorver e a aprender coisas novas.

Se vos perguntarem de onde são, you're not from Portugal! You're from Portukéte! Ohhhhhh Ronaldo! Very good!

Ah estes contrastes bons de culturas! Temos de ir abertos às diferenças. Preparados para choques culturais muito fortes. Com o coração cheio de vontade de conhecer coisas novas. Se o espírito for esse, tenho a certeza que vão amar este país!


Ah! Já me esquecia! São um povo muito asseado! As casas de banho têm sempre uma empregada a limpar as retretes a tempo inteiro. (Nos mercados paga-se 5 Bhats para entrar) No entanto... Nem sempre os parâmetros são iguais aos nossos! Por isso, não levem roupa muito complicada senhoras! Macacões não dão muito jeito quando temos casas-de-banho muito apertadas e com um buraco no chão em vez da retrete. Normalmente, quando há buraco, não há autoclismo. Há um balde cheio de água com um alguidar pequeno para deitarmos lá para dentro. Levem sempre na mochila lenços de papel e toalhetes húmidos. Dão sempre jeito! Se precisarem de fazer um xixi e tiverem um centro comercial por perto, aproveitem! Vão perceber o conceito de luxo Asiático nos shoppings!














27/07/2018

A cesta das Mães Solteiras

É 6.ª feira. Este fim-de-semana os filhos são teus! Passas no supermercado para te abasteceres para o fim-de-semana.

- Fruta! Temos de levar fruta. Vais comer fruta sim! Quem é a mãe aqui?
- Legumes para fazer sopa nova. Não te preocupes! Desta vez não levo espinafres. Mas vais comer sopa, já sabes!
- Vou levar estes peitos de frango para fazer nuggets. Ficam bons no forno e têm menos gordura.
- Não! Não podes levar gomas.
- Vá... Leva lá cereais de chocolate para o pequeno-almoço! Um doce também não faz mal.
- Não! Não vou levar batatas fritas! Já sabes que não compro isso.
- Iogurtes
- Leite
- É melhor levar arroz, acho que está a acabar.
- Panquecas para o lanche? Ok! Vou buscar farinha de aveia que já não há.

É 6.ª feira. Este fim-de-semana os filhos são do pai! Passas no supermercado para te abasteceres para o fim-de-semana.

- Hum... Estes croissants estão com óptimo aspecto! Ah! Que bom! Estão mornos. Vou levar só um. Oh! Vou levar dois!
- Fruta? Vá... Levo morangos! Estão com boa cara.
- Chocolate Branco! Simmmmm!!!! Para acabar de ver a 3.ª temporada da série.
- Sopa! Vou levar já feita! Será que tem batata? Paciência! Já está feita!!!
- Ah! E uma lasanha destas! Não me vai apetecer cozinhar.
- Somersby! Acho que já só tenho uma.
- Batatas fritas. Está mesmo a apetecer-me.
- Bacon para fritar com os ovos.
- Se calhar vou voltar para trás para ir buscar também uma tablete de amêndoas torradas.

26/07/2018

Não deixes para amanhã!

O que podes fazer antes das férias!

Eu sou aquela pessoa organizada que faz tudo com antecedência! (Not!!!)
Deixo tudo para a última! Faço tudo na véspera, na última chamada, nos últimos 5 minutos.

No ano passado consegui estar 3 meses à espera de um livro de Português para a minha filha... Não me perdôo... Quem ficou mal foi ela que andou com fotocópias durante uma data de tempo por culpa da desorganização da mãe!

Este ano não me apanham nessa. Antes de ir de férias deixo tudo tratado e encomendado!

Fui ao site da Staples encomendar tudo. Basta escolher o sítio onde vivemos e a escola e ano em que os nossos filhos andam e as listas aparecem logo. Se comprarmos agora, temos logo 6% de desconto imediato até ao dia 19 de Agosto.

A minha parte preferida ainda é poder encadernar os livros escolares na Staples com aquele sistema Colibri que não estraga os livros, não faz bolhas, ficam perfeitos e eu ainda passo por mãe espectacular!!!

25/07/2018

Cada vez mais perto!

Ver o lado positivo das coisas, neste caso de uma coisa muito simples, a vida, é achar que a cada minuto que passa, estamos cada vez mais perto. Mais perto de quê? Sei lá eu! Cada um sabe de si. Cada um sabe quais são as suas lutas, os seus caminhos, os seus objectivos. A única coisa que aprendi, foi que, enquanto olharmos para trás para ver determinadas coisas que estão cada vez mais longe, esquecemo-nos de olhar para a frente para ver as próximas cada vez mais perto.

Podíamos até falar da fila do supermercado ou da fila de trânsito. A cada artigo que a menina da caixa passa do cliente que está à nossa frente, a nossa vez fica cada mais vez mais perto. A cada metro que avançamos numa fila de trânsito infernal, o nosso destino está cada vez mais próximo.

Agora basta pegar neste raciocínio, que até parece um bocado parvo, e projectá-lo na nossa vida. Na parte abstrata e misteriosa da vida. Sobre a qual não sabemos nada... Mas sabemos que, a cada minuto que passa, estamos cada vez mais perto. Seja da promoção no trabalho, das férias, daquele sonho por realizar. Até da morte estamos cada vez mais perto. Mas nessa preferimos não pensar. Não é com ela que queremos encontrar-nos. Apenas com as coisas boas que estão por vir.

Eu acredito que estou cada vez mais perto do Euromilhões por exemplo. Não sei! Está no lado abstrato e misterioso da vida. Mas se eu acredito, vocês também não são ninguém para me dizer que não!!! Cada um acredita no que quiser. O importante é que saibamos que estamos cada vez mais perto.

12/07/2018

Tu que preferes a magra!

Ontem, enquanto participava na Prova Oral com o Fernando Alvim, ligou um ouvinte a queixar-se que não tinha nenhuma relação há 10 anos. Que só queria ser feliz. Já agora com uma mulher magra porque não gostava de mulheres gordas.

Confesso que me contive para não lhe responder em directo. Não sabia muito bem se podia interromper a conversa. Mas desde ontem que fiquei a pensar nisso. Aproveito para responder, não só a ele, mas a todos os homens que preferem as magras.

Senti-me ofendida! Senti-me ofendida enquanto Mulher. Senti-me ofendida em nome de todas as Mulheres. Não só pelas mulheres gordas, mas pelas Mulheres magras também.

Tento explicar muitas vezes que, depois de um caminho percorrido, percebi que o meu estado civil não me define. Deixei de ter vergonha de dizer que era divorciada quando aprendi a dar-me valor. Quando finalmente descobri que aquilo que eu posso dar a quem está ao meu lado nada tem a ver com o facto de ser divorciada, casada ou viúva. Percebi que sou muito mais que Mãe, muito mais que Educadora de Infância, muito mais que Blogger, ou filha ou contribuinte. Na verdade somos um todo.  Mas não somos mais pela nossa profissão, ocupação ou estado civil. Da mesma forma, o tamanho das calças que vestimos também não define aquilo que somos. Ai não define mesmo!!!

A ti que preferes a magra, só posso concluir que o que queres mesmo nada tem a ver com o que a pessoa que poderia estar ao teu lado te possa dar. Aliás, nem tu tens nada para oferecer. Porque andas à procura de algo cujo conteúdo te é indiferente. Só interessa mesmo o pacote. (Em todos os sentidos!)

Tu que preferes a magra nada sabes sobre o que significa gostar de uma pessoa por aquilo que ela é. Pelo seu carácter, pelo seu sentido de humor, pelas suas convicções, pela sua força ou pela sua forma de viver.

Tu que preferes a magra não mereces sequer a gorda. Porque ao preferir a magra em vez da bem-disposta, ao preferires a magra em vez da generosa, ao preferires a magra em vez da forte, não preferes mulher nenhuma. Não mereces mulher nenhuma. Independentemente dela ser magra e bem-disposta ou magra e generosa.

Neste Mundo em que vivemos, talvez devesses até preferir a gorda. Porque a magra nunca teve de se esforçar para ultrapassar preconceitos. A magra nunca teve de se fazer de forte para vestir um fato-de-banho. A magra nunca teve de se sentir culpada diante de um bolo de chocolate.. A magra nunca teve de refugiar-se no seu sentido de humor para fazer-se bonita num Mundo que prefere magras.

Tu que preferes a magra não percebes nada! Não percebes que, muito provavelmente, escondida dentro das curvas bem delineadas e generosas de um corpo, está uma mulher que vai preocupar-se muito mais contigo e cuidar muito melhor de ti porque sabe que, num Mundo de homens de merda como tu, não há muitos que olhem para si. E por isso vai fazer-te feliz como nenhuma magra faria só por ter medo de te perder.

Tu que preferes a magra, não percebes absolutamente nada de Mulheres.

É por tantos ‘tus que existem neste Mundo que a gorda vai continuar a sentir-se gorda em vez de sentir-se bonita, generosa ou forte ou feliz.

Eu já fui a gorda. E mesmo que hoje seja magra, vou continuar a afastar de mim os homens como tu. Que preferem o rabo ao carácter. As maminhas ao sentido de humor. As pernas à generosidade.

Como disse alguém que interveio ontem no programa, tu que preferes a magra, podes ir ao talho escolher o teu pedaço de carne e continuar sozinho à espera que a magra apareça.


07/07/2018

Em que é que ficamos?

Há quem diga que não percebemos nada, no final das contas, eu até acho que percebemos tudo.

Tive um dia de praia espectacular. Com amigos. Acordámos bem cedo, o tempo estava uma merda, mesmo assim não desistimos. E eu estive quase... Pegámos nas crianças e nas sanduíches e fizemo-nos à estrada. Valeu tanto a pena não desistir!

A praia acabou numa mesa com caracóis, cervejas, bocas lambuzadas de gelado, gargalhadas e conversas boas. Mas também acabou com um telefonema a dar uma notícia triste da morte repentina de alguém.

Fiquei mal-disposta... Sempre que recebemos notícias destas ficamos assim... Mal-dispostos. Com o duro embate com a realidade. A realidade que tentamos não ver quando acordamos todos os dias. A realidade de que num minuto estamos aqui e no próximo não sabemos.

Agarrei-me aos meus filhos! Pensei nos meus pais. Olhei para os meus filhos a pensar se, se partisse naquele segundo, se teria deixado alguma coisa por lhes fazer. Na verdade, quando morremos, deixamos sempre tudo por fazer. Mas também é verdade que, se pensarmos bem, não deixamos absolutamente nada! Quando alguém morre, temos tendência a enaltecer essa pessoa. Acho que, se morresse, os meus filhos iam lembrar-se apenas das coisas boas que fazíamos e não do ralhete que lhes dei no outro dia só porque estava cansada e me deixou com a sensação de ter sido injusta no minuto seguinte.

Estes momentos dão-nos vontade de viver como se não fossemos acordar amanhã. De dizer a todas as pessoas importantes que as adoramos. De fazer algum pedido de desculpa que tenha ficado pendente. Temos até o desplante de pensar naquela viagem que queríamos tanto ter feito e ainda não houve oportunidade. Ou combinamos que vamos passar a ir contemplar o mar todos os dias.

A verdade é que é impossível viver como se fossemos morrer amanhã. Primeiro porque seria bastante cansativo viver com urgência em deixar tudo bem feito. Depois porque, aquelas coisas que consideramos especiais e temos vontade de as fazer quando nos cheira a morte, deixariam de ser especiais.

Se fosse todos os dias à Indía, deixava de ter vontade de a conhecer. Se comesse todos os dias as minhas comidas preferidas, deixava de conseguir sequer olhar para elas, quanto mais ter vontade de as comer. Se ligar todos os dias aos meus pais a dizer que os adoro, aquelas palavras que quero impactantes na hora em que são ditas, passariam a ser banais.

As coisas especiais são especiais precisamente porque não temos tempo ou oportunidade de as fazer constantemente!

Se calhar estes baques de morte fazem-nos bem de vez em quando, embora eu ache que ninguém devesse morrer! (Só os maus! Esses não fazem cá falta nenhuma!) Faz-nos bem, de vez em quando, lembrarmo-nos que somos finitos. E frágeis. Deve ser por isso que esses momentos nos fazem pensar em coisas importantes! Porque, felizmente, não acontecem todos os dias. E de vez em quando é bom pensar nas coisas importantes que temos para fazer e dizer.

Mas também faz parte da vida acordar, comer, trabalhar, executar tarefas quotidianas, levar os filhos à escola, esquecer de comprar leite, comer os mesmos bifes de frango de sempre, discutir com a mãe ou mandar o senhor do carro da frente à merda. Faz parte da vida. Faz-nos ser imperfeitos. Na verdade faz-nos vivos! E são essas perfeitas imperfeições do dia-a-dia que tornam algumas coisas tão especiais.

Por isso, afinal de contas, acho mesmo que não devemos viver como se amanhã fosse o último dia. Acho mesmo que devemos só viver. Com o bom e o mau que a vida nos dá. Com o melhor ou o pior que conseguimos fazer dela. Sem nos esquecermos de, de vez em quando, fazermos coisas especiais. De preferência sem termos de levar com um baque de morte.  Isso seria o ideal! Um dia havemos de ir todos não é?