25/04/2016

As falsas-mães-descontraídas!



Sou uma falsa-mãe-descontraída! 
Ou seja, intitulo-me de descontraída mas na realidade, não deixo passar nada! 
Não sou daquelas que tem uma mola no rabo quando as crianças caem. Se vejo que está tudo ok, grito um "Vá!!! Levanta que já passou! Segue caminho!" e nem olho mais. Acho que as arranhadelas são saudáveis! Tanto para criar imunidades, como sabedoria e traquejo. Também não sou daquelas chatas que stressa quando eles se sujam. Prefiro adequar a roupa às brincadeiras do que as brincadeiras à roupa que trazem. 
Mas a verdade é que não consigo não os ter à vista! Até podem estar a brincar a 50m de mim. Desde que não haja muita gente e estejam debaixo de olho. 
Hoje fiz uma espécie de terapia para falsas-mães-descontraídas. Eles queriam andar de bicicleta. Eu queria um lugar que fosse seguro. Aqui em Cascais, as ciclovias são coladas à estrada ou a ribanceiras de 100m até ao mar. Ambos representam uma panóplia de AVC's durante o passeio em família que se quer sereno e não com mães histéricas à mistura. A última coisa que queria era estar constantemente a chateá-los com "Pára! Cuidado! Anda práqui!" 
Encontrei o spot perfeito! O recinto da antiga praça de touros. É enorme, vê-se tudo num raio de 200m e está vedado a carros. Melhor ainda, completamente vazio!!!



Deixo-os estar. Fiquei quase invisível! Lembrei-me de quando ia andar de bicicleta com o meu irmão e não havia ninguém para tomar conta. Nem telemóveis. O meu irmão teria a idade da Gigi. Tentei deixá-los crescer. Debato-me contra mim mesma. Deixei-os afastar mais do que o suposto. Deixei-os andar mais depressa do que deveriam. E fiquei ali a apreciar a cumplicidade deles. As conversas deles. A forma como um parava à espera do outro. A forma como gozavam um com o outro se algum caía. E se riam deles próprios, sacudiam as calças e seguiam caminho. Montaram as brincadeiras sozinhos. Livres! Atiraram terra ao ar e eu não os avisei que podia entrar nos olhos, nem lhes disse que iam ficar cheios de terra na cabeça. Deitaram-se no chão e eu não lhes disse que iam ficar sujos. 



Dei-lhes uma liberdade que não estão habituados a ter. Uma falsa liberdade completamente controlada. Mas que os deixou serem eles próprios, num ambiente desconhecido. Descobrirem, ajudarem-se e desenmerdarem-se! Que é o que falta aos miúdos de hoje! Desenmerdarem-se sozinhos. 
Fiquei orgulhosa de mim! Mas sobretudo deliciada com eles! 

Próximo passo: dar-lhes 100 paus para irem sozinhos de bicla comprar pão ao Sr Nunes! 
Naaaaaaa!!!!! Ainda não estou assim tão descontraída!


3 comentários:

Vera Correia disse...

Ser mãe falsamente descontraída é cansativo à brava. Além das pequenas paragens de batimento cardíaco, ainda temos de colocar o sorriso n.33 para combinar com a super confiança que temos nos seus sábios julgamentos.Ah, e a roupa que se lixe, que a máquina de lavar foi inventada para isso!

Fernanda Vilela disse...

A roupa é o menos...e se se magoam?E se é perigoso?..E se... São muitos ses.Eu jogo pelo seguro...sempre com os olhos neles....😕

Nônô disse...

Se dá trabalho ser uma falsa-mãe-descontraida?!!! Dá e não é pouco. .. Por cá andamos numa fase em que uma está a aprender a andar de bicicleta sem rodinhas e "zizagueeia" por entre mil pessoas e outra acha que já domina o triciclo... e a falsa mãe descontraída quase tem uma paragem cardíaca, ou vai para um lado, ora olha e vai para o outro e o treinador de bancada de cá de casa dá indicações sentado no banquinho à mais velha :) no fim com imensa lata diz: "tens que te acalmar pois, ainda te dá uma coisinha má! " :) haja paciência! Beijinhos grandes