18/02/2018

Hoje pensei em ti!

Hoje pensei em ti! Várias vezes até.
Fiz a cama com uns lençóis que não usava desde a última vez que dormiste cá. Eu sou assim! Defendo-me escondendo as coisas que me trazem memórias indesejáveis. Mas hoje voltei a puxar os lençóis para fora do armário e voltei a pô-los na cama. É óptimo que isso tenha acontecido. É sinal que já não preciso de os esconder.
Voltei a pensar em ti depois. Quando percebi que aquele cheirinho para a casa que adoravas secou. Estava escondido atrás de uma moldura. Enfiei os pauzinhos de bambu no nariz para sentir o aroma seco do frasco e quase cai para trás com a velocidade com que fui transportada para todas aquelas memórias e sensações de te ter aqui em casa. Aqui no sofá! Naquele canto! Com a perna em cima da mesa e o comando da televisão pousado na barriga. E eu escondida debaixo do teu braço. O frasco secou! Fiquei feliz! Secou o frasco juntamente com as lembranças constantes que tinha de ti. Apanhei os paus de bambu e o frasco amarelo e atirei-os para o lixo cheia de convicção! Como se te atirasse a ti também lá para dentro. E no fim ainda deitei a língua de fora ao caixote do lixo,  na mais pura demonstração de imaturidade!
E voltei a pensar em ti mais tarde. Quando resolvi esvaziar a gaveta das toalhas de mesa e individuais. (Já percebeste que andei a sopeirar o dia inteiro, certo? Adoro sopeirar em dias de sol!) Tirei as toalhas e os individuais todos para fora! E encontrei os que comprei quando ocupaste o teu lugar na nossa mesa de jantar. Porque, na altura, apeteceu-me por a mesa mais bonita para te celebrar. Claro que os atirei para o fundo da gaveta... (Como fiz com os lençóis...) Tal como o teu guardanapo. Ainda lá estava. Não lhe consegui sequer tocar quando te foste embora. A tua boca lá marcada estava tão fresca que eu ainda era capaz de lhe colar um beijo por cima e depois alguém teria de me internar. Mas hoje fui capaz! Fui capaz de atirar o guardanapo para dentro da máquina da roupa. Com a mesma convicção com que atirei o frasco de cheiro para dentro do lixo! E para que saibas, tirei também os individuais! Vou voltar a usá-los! Acho um desperdício deixá-los no fundo da gaveta. Só porque quis uma mesa mais bonita para ti! Ainda bem que não comprei as argolas novas de guardanapo que tínhamos combinado. Seria um desperdício ter atirar argolas novas pelo ralo da pia.
Claro que se seguiram mais uma data de memórias. Toda esta casa estava impregnada de ti! A varanda, a cozinha, o sofá... Até os sítios de passagem tinham memórias tuas. Ah! O quadro que tiraste da entrada! Voltei a pô-lo no sítio. Gosto dele.

Percebi que essas memórias, por muito que ainda custem, já não me apertam a barriga, nem o coração. Já só fazem valer as vibrações do eco. Gostei de me lembrar de ti! Já não o fazia assim há muito tempo. Gostei sobretudo de perceber que já não me lembrava de me lembrar de ti desta maneira.

Espero que estejas bem!

3 comentários:

I* disse...

É tão bom quando conseguimos arrumar coisas! Meu caso é coisa de demorar pelo menos 1 ano!

Anónimo disse...

Assim se vê como "és do bem". Tudo de bom.
Ps:já não falta tudo para o verão!

Anónimo disse...

Como diria o meu filho "... e já foste!!!!"