18/04/2017

O coração dos meus filhos vive na minha garganta!

O coração dos meus filhos vive na minha garganta, deita-se no meu peito e respira nas minhas mãos. 

E isto não é fácil de gerir. Ou até é! Mas só quando as coisas correm como esperamos... Ou seja quando está tudo bem! Porque o nosso único objectivo enquanto mães, é esse e mais nenhum! 

Quando os vamos buscar à escola, depois de um dia inteiro sem os ver, fazemos a análise em segundos. Em míseros segundos sabemos se eles estão bem, se o dia foi bom, se estão felizes. E não precisamos sequer de lhes perguntar. Avaliamos apenas o brilho dos olhos e a velocidade da respiração. Sem sequer precisarmos de a sentir. 

E quando percebemos que a respiração não está como deveria ou o brilho dos olhos não está como esperado, é então que o coração deles aperta a nossa garganta, esmaga o nosso peito e queima as nossas mãos. 

Não há maior angústia do que a angústia dos filhos. Quando o coração deles está apertado, a nossa garganta fica asfixiada. A angústia de um filho é o maior veneno que uma mãe pode provar. 

E a impotência de não poder ajudar é a maior limitação que se pode sentir. 

Há dias em que me apetece abrir a cabeça dos filhos, mudar uns ligamentos, por-lhes pomada no coração, enfiá-los no meu colo e fechar-nos a todos numa carapaça. Onde nada lhes pode acontecer, ninguém os pode magoar e coisa nenhuma os pode angustiar. 

Tenho a garganta fechada, o peito esmagado e as palmas das mãos queimadas. Mas ele não pode saber disso! Porque é nas minhas mãos, no meu peito e na minha garganta que ele tem de encontrar o aconchego e a certeza que tudo vai passar. 

E vai!