16/10/2016

O sistema escolar é uma pescadinha de rabo na boca

Estão a ver aquelas pirâmides onde se ganhava dinheiro ilegalmente. Vinha por ali abaixo, e todos saíam (alegadamente) a ganhar? 
Não tem nada a ver! Só que tem! Invertam lá a coisa... 

Eu sou a mãe. Estou no topo desta cadeia alimentar (meia canibal) em que a pescadinha como o seu próprio e real traseiro. Então comecemos. 

Eu sou a mãe! (Desculpem repetir-me! Adoro ser definida por esta função)
Eu quero que o meu filho tenha trabalhos de casa? Faça testes com matéria de 40 páginas e seja constantemente empurrado contra uma parede com dedos apontados quando os resultados do quadro de honra saírem e o nome dele não estiver lá? Quero que todos os fins de período lectivo as tias e avós liguem a saber se o Bernardinho teve boas notas? Quero passar as poucas horas que tenho diariamente com o meu filho a gritar para ele acabar os trabalhos de casa quando a cabeça dele já não consegue mais? Quero acompanhar o estudo dos meus filhos enquanto descasco uma cebola, meço o arroz ou besunto coxas de frango, sem conseguir dar-lhe total atenção? Quero ficar ansiosa no fim‑de‑semana de véspera de 4 testes (para cada), porque foram para o pai e já estou mesmo a ver como vai ser o estudo? 
Não a todas as questões! Mas tem de ser... Porque o meu filho "pede"! 


Agora o filho/aluno. 
O meu filho quer sentar-se numa sala de aula com crianças até ao tecto, sem espaço ou tempo para colocar as suas dúvidas ou para falar com a professora? O meu filho quer aprender a matéria a correr porque já estamos no fim de outubro e ainda não deram a letra K? O meu filho quer, depois de passar seis horas na sala de aula, privar-se da futebolada com os amigos para ir para casa fazer os tpc's. O meu filho prefere fazer os trabalhos de casa ou estudar para os testes a ter 2h do fim‑de‑semana para NÃO fazer NADA porque já teve almoços de família, missas e idas ao supermercado? 
Não! A todas as questões! Mas tem de ser porque a professora "pede"! 

Vamos à professora! 
A professora gosta de ter uma sala a abarrotar de crianças até ao tecto? A professora prefere perder parte do seu dia a tentar por os alunos em silêncio e preparados para a aula, porque é muito mais difícil organizar 30 alunos do que 20? A professora gosta de dar a matéria a correr porque tem um programa a cumprir em vez de ir dar a aula para a rua porque está sol ou de nem sequer dar aula porque surgiu uma conversa mesmo gira com os alunos? A professora prefere passar os seus fim‑de‑semana a corrigir provas em vez de passar o seu fim‑de‑semana em família (provavelmente a ajudar os seus filhos para os testes)? 
Não! A todas as questões! Mas tem de ser porque o sistema pede! 

Finalmente vamos ao sistema! 
O senhor ministro da Educação alguma vez pôs a sua real peida numa sala de aula e sabe o que é dar aula a uma turma de 30 alunos? O senhor ministro da educação tem algum tipo de conhecimentos psicológicos e pedagógicos para saber do que é capaz uma criança de aprender, em que idade e durante quanto tempo ao longo do dia? O senhor ministro da educação tem noção da quantidade de matéria que as nossas crianças têm de aprender hoje em dia porque alguém achou que temos de ser os melhores, só que está tão desadequado que estamos sempre no fundo das listas? O senhor ministro da educação sabe o que é para uma mãe não poder passar da porta da escola e não conhecer a professora do filho, não poder ver os trabalhos do filho na parede ou saber como ele passou o dia? O senhor ministro da educação alguma vez entrou numa escola sem ser para uma bonita inauguração à frente de jornalistas? O senhor ministro da educação está aí por alguma razão específica ou é porque já tinham outro nome para o ministério da agricultura? 
Não! A todas as questões. Mas tem de ser porque... Alguém "pede"... Mas não sou eu! Nem o meu filho! Nem a professora! 


Portanto, voltando ao facto do sistema educativo ser uma pescadinha de rabo na boca, o rabo sao os políticos! A boca, somos todos nós. Basicamente andamos a comer merda todos os dias. 

2 comentários:

Anónimo disse...

Adorei o último parágrafo! Ah! E sou professora!

Helena Resende disse...

Impossível não concordar.:(