09/10/2016

Ter um cão não é para cretinos!



Hoje fui abordada na rua por uma pessoa que veio pedir para fazer uma festa ao Mr Darcy! 

Confessou-me que o sonho dela era ter um Cocker, mas que a mãe lhe tinha dado um Braco  Alemão. 

- Ah!! Mas são lindos! 
- Pois são! Mas tivemos de o dar...
- Como assim? 
- Era muito grande para ter em apartamento. 

Ok! Vamos recapitular... Era muito grande para ter em apartamento? Até são! São enormes! E energéticos também! Não resisti... 

- Desculpe, mas quando o foram buscar, já sabiam que ele ia crescer, não já? Ou achavam que ia ser um bebé para sempre! 
- Sim! Sabíamos. Mas a minha mãe queria muito! 

Vamos poupar-nos a críticas e juízos de valor. (Que eu sei que a internet às vezes abusa nos comentários agressivos) Queria só reflectir sobre algumas coisas que as pessoas deviam enfiar na cabeça de uma vez por todas!!! 

Os cães bebés só são fofos e apetitosos nas fotos e nos primeiros 5 minutos ao colo! 
Na realidade os cães bebés são chatos como tudo! 
Os cães bebés fazem xixi por todo o lado. 
Os cães bebés fazem cocó por todo o lado. 
Os cães bebés roem tudo aquilo que não for os seus brinquedos. Menos os seus brinquedos. 
Os cães bebés choram de noite. 
Os cães bebés mordem e arranham as nossas pernas. E as nossas mãos. E os nossos calcanhares. E os nossos braços. 
Os cães bebés adoram atacadores de sapatos. 
Os cães bebés metem-se no nosso caminho quando tentamos andar. 
Os cães bebés gostam de explorar o caixote do lixo. E de espalhar os restos de comida e cascas de fruta e embalagens vazias pela cozinha fora. 
Os cães bebés atacam qualquer tipo de comida que fique esquecida e não seja suposto eles atacarem. 
Os cães bebés CRESCEM! 
Os cães crescidos duram muitos anos! 
Comem! 
Precisam de vacinas. 
Podem ocasionalmente ter problemas de saúde. 
Dão despesas. 
Os cães bebés não só crescem, como também envelhecem. Ficam debilitados e precisam de nós. 

Alguns crescem só até ao nosso tornozelo, ou até ao nosso joelho, outros crescem até à cintura. E tirando os cães rafeiros que apenas podemos ter uma ideia de como vão ficar através do tamanho das patas, os cães de raça têm características físicas e emocionais que são conhecidas à priori. 

Portanto, na realidade, os cães bebés são uma verdadeira dor de cabeça. Mas também é verdade que depois de crescerem e de passar esta fase mais trabalhosa, são os melhores amigos e companheiros que podemos arranjar. Mas não são para qualquer cretino! São para quem saiba onde se vai meter. São para quem seja capaz de lidar com os primeiros meses e perceber que vai ter muito trabalho. 

Por isso, quando quiserem um urso de peluche bebé, deviam arranjar um de brincar. Ou então, ter em consideração todos os outros aspectos que referi em cima! 

Se vivemos numa casa pequena, a culpa do nosso São Bernardo partir mil coisas quando tenta passar entre a mesa de café e o sofá, não é dele! É dos donos que deviam ter escolhido um Yorkshire Terrier ou um Poodle Anão. 

Se o Jack Russel é muito nervoso e passa a vida a correr de um lado para o outro entre a cozinha e a sala, a culpa não é do cão. É do dono que devia ter escolhido um Labrador. 

Se o Boxer come 15kgs de ração por mês, a culpa não é do cão! É do dono que devia ter escolhido um Pincher. 

Quando se escolhe um cão, não se pode escolher o mais bonito ou o que aparece mais vezes no Instagram. Tem de se escolher aquele que melhor se adequa ao nosso estilo de vida e à nossa casa. 

Escolher um cão porque é bonito é só uma cretinice! 
Escolher um cão porque todos os amigos têm cão, é só uma cretinice! 
Escolher um cão só porque a menina pede muito um cão, é só uma cretinice! 

Quando fiquei com o Mr Darcy, só anunciei no dia em que o fui buscar. 
Ninguém sabe quanto tempo antes ponderei esta decisão. Ninguém sabe durante quanto tempo estive a mentalizar-me que tudo iria mudar. Que ia ter de limpar xixis nos primeiros tempos, que provavelmente ia ficar sem um ou dois pares de sapatos inadvertidamente esquecidos pelo chão, que dormir até ao meio-dia (quando as crianças estivessem no pai) ia acabar. PARA SEMPRE! 
Já tive muitos cães. Aliás, não sei o que é viver sem cães em casa. Só nos últimos 8 anos (já casada portanto) é que deixaram de existir na minha vida. Mentira, nos meus pais continuou sempre a haver cães. 

Por isso, apesar de ter sido chamada de louca (e insultada) por me meter neste filme, foi uma "loucura" ponderada. Eu não quis um bebé peludinho para fazer cutxi-cutxi! Eu quis um companheiro. Quis um cão que pudesse ir comigo para todo o lado. Quis um amigo para os meus filhos. Sobretudo quis que os meus filhos tivessem a sorte que eu tive! Crescer perto de amigo como este!
Porquê um Cocker em vez de um Labador (são muito melhor com crianças) pergunta meio mundo! Primeiro porque este Cocker surgiu na minha vida. Foi uma sorte do destino. Depois porque eu queria um cão que pudesse levar para todo o lado, enfiar no carro e ir comigo onde eu fosse, um cão que não me levasse o ordenado em ração e um cão que não fosse maior que os meus filhos. 

Na realidade eu devia era ter adoptado! E seria isso que iria fazer. Se calhar não tão cedo. Mas foi uma oportunidade que me bateu à porta. E eu achei que era um desígnio lá de cima. E assim foi. 

Não sejam cretinos! 
Se querem um peluche, arranjem um que não cresça, que não coma e que não fique grande demais para um apartamento! 

25 comentários:

Anónimo disse...

Parabens por este texto tão verdadeiro.

Anónimo disse...

É por todas estas razões que tenho um gato!!!

Liliana disse...

Quando passeio a minha cadelinha também já ouvi essas parvoíces... é triste, é revoltante. Obrigada por mais um excelente post. Vou partilhar

Anónimo disse...

Estou em fase de reflexão e mentalização, prometemos um cão aos nossos filhos em Abril do próximo ano, já sei que o meu sossego vai acabar e que as tarefas vão aumentar. O meu marido sempre teve cão e os meus filhos imploram à 6 anos... vou ter de ceder.
E sim já ponderamos sobre todos os factos mencionados no seu post.

Celia Lopes disse...

Parabéns!
Gosto da sus escrita, mas este texto superou!
Muito bom e tão verdade!
Eu, com uma família de seis Labradores em casa, reconheço tudo isso!

Helena Lagartinho disse...

ora...nem mais!!!

Anónimo disse...

Muito certo e verdadeiro!Eu tenho consiencia um animal e para toda à vida. Perdi o meu companheiro de 18 anos à quase um ano e posso dizer que ainda hoje choro por ele. Foi um filho.

Anónimo disse...

Tenho 3. E curiosamente durmo até ao meio dia sempre que quero ou posso. A maior parte das vezes que acorda primeiro sou eu.=)

Anónimo disse...

Muito bom o texto eu sei o que é isso tenho um labrador e dois gatos e são a minha família que eu amo

Sofiazinha disse...


Aplaudo de pé!

Beijinhos

(Mr. Darcy é lindo! E a vossa família também)

Anónimo disse...

Parabéns. Sim é verdade tudo que está escrito,muito trabalho,despesa, tempo,temos que nos privar de muitas saídas pois tenho 5 gatos e uma labradora e não os dava por nada deste mundo .Pois tive um labrador 14 anos que foi abandonado e o meu marido quando o viu foi amor á primeira vista .O nosso NINO ao fim de 14 anos adoeceu pois o meu marido desempregado e com uma doença oncológica fizemos tudo para salvar o nosso amigo que será sempre recordado.

Anónimo disse...

Os meus meninos sao super dorminhocos. Só acordam quando eu abro os olhos ahahaha são as melhores coisas

Anónimo disse...

Muito bom. A minha cocker já tem doze anos, está a ficar cega e já pouco ouve. Já foi uma cachorrinha fofa ( agora é uma velhota fofa) que quase me destruiu a casa nos primeiros meses, quando me distraia lá iam uns ténis, roupa, livros, rodapés etc. No primeiro mês dormi com ela no sofá, pois gania com falta da mãe e não a levava para a minha cama com medo que caísse. Mas as coisas foram-se compondo e com paciência aprendeu regras, quando tinha 4 anos arranjei-lhe dois amiguinhos pincher miniatura para não se sentir sozinha. Enfim...são os melhores companheiros que podemos ter.

Anónimo disse...

Parabéns,tenho 3 meninos e 2 meninas e uma gatinha 4 foram adoptados as vezes não é fácil,mas jamais os abandonaria são como filhos também são muito dorminhocos querem adoram dormir na minha cama.❤❤❤

angela vieira disse...

Concordo com tudo o que é dito no texto mas desenganem-se quando pensam que os Labradores são cães calmos e quietos! São enérgicos e necessitam de exercício! Eu tenho um desde os 3 meses e mesmo com toda a electricidade dele, adoro-o e não conseguia viver sem ele! Vai comigo para todo o lado!

Anónimo disse...

Só não entende a mensagem quem não quer 😃 excelente texto adorei ler . Parabéns

Anónimo disse...

E isso, tem que se ponderar. E mentalizar que e mais.um.membro da família. Mas acredite que a vida fica bem.mais bonita ;)

Anónimo disse...

Na minha sincera opinião quando uma criança já com idade suficiente para perceber que ter um cão acarreta uma grande responsabilidade,que não é um brinquedo que hoje brinca e amanhã põe de lado porque não gosta,que se é ele quem quer terá de ser ele a ter a responsabilidade de ser o cuidador do cão...concordo um cão traz grandes
responsabilidades e tem de ser uma escolha muito bem ponderada....

Susana Silveira disse...

A minha primeira cadela foi uma cocker spaniel dourada, linda de morrer. No primeiro ano de vida comeu-me literalmente a casa, desde moveis, roupa, paredes, cabos elétricos, tudo serviu... arranjei-lhe uma cadelinha rafeira para lhe fazer companhia e a cocker Cocas acalmou totalmente, tornou-se até pachorrenta... é verdade, dão muito trabalho, mudam as rotinas mas tudo compensa pelo amor que nos dão. O único "defeito" dos cães e gatos é que o tempo de vida deles é muito curto e quando se vão embora deixam um vazio no nosso coração para sempre. Por mais que tenhamos, e eu já tive muitos cães depois da Cocas, todos sem exceção nos marcam para sempre.

Anónimo disse...

sim é verdade o que diz hoje tenho uma cadela labradora que tem uma energia que só acalma um bocado depois de a gente a cansar.Lembrem-se que um cão não é igual a outro pois esta não tem nada a ver com o outro cão labrador que tive ,mas adoramos-la só precisa de atenção e mimos

Nuno Pacheco disse...

Tenho uma Braco Alemão e vivo em apartamento com o "plus" que ainda é cão de caça que caça... todos os dias passeamos entre 1 a 2 horas à noite, durante o dia deixo-o num Hotel para animais em regime de ATL (tenho condição financeira para tal, se não tivesse não o poderia ter), neste momento e em parte por ele comprei uma moradia (e lá virá o segundo Pointer). Para onde eu for ele vai comigo seja de férias, em passeio, ao café, à praia, à caça...) será para sempre o meu melhor amigo. Sabia que tipo de cão era, e em nada me arrependo, por ele passei a fazer exercício (que só me faz bem), a interagir com pessoas na rua, estou realmente feliz com o meu Braquinho (que de facto não é assim tão pequenino). Ele é um cão muito bonito e muita gente diz que gostava de ter um, eu logo digo "conheça a raça e depois escolha o cão". O cão deve estar de acordo com a nossa forma de vida ter um Pointer e depois não querer passeá-lo todos os dias é puro sadismo para com o animal. Mesmo ter um cão pequeno só pelo facto de termos um apartamento não é uma verdade exata, muitos cães pequenos precisam até mais do que cães grandes de passear devido ao acumular de energia. Apenas uma opinião minha mas adotar cães "rafeiros" por vezes é uma lotaria não sabemos as características deles algo que no caso de um cão de raça sabemos, no entanto eu adotava sem qualquer problema.

Fernanda Claro disse...

Parabéns pelo texto! Eu não me expressaria melhor

Anónimo disse...

Mensagem realista e verdadeira de que e ter um cao - nosso amigo de 4 patas....muito trabalho, muita despesa com comida e remédios, muita alegrias...e um dia uma enorme tristeza, quando eles nos deixam.

Monica Lourenço disse...

CLAP CLAP CLAP :)
O meu, que fez agora 1 ano, é a "coisa" mais louca e esgroviada que já vi/tive em forma de cão :D
Também foi assim um acaso do destino: andava abandonado na Serra da Arrábida, com 3 meses, e um amigo recolheu-o e divulgou foto para adoção (não ficou com ele por já ter 2, grandões).
Ficamos, não ficamos, até que soubemos que já o tinham adotado.
No dia a seguir, ele liga-nos "ainda querem o bebé? a pessoa que o adotou, devolveu-o...".
Sabes porquê? chorava de noite! Really???
Sem comentários, que já me estou a alongar e nem vale a pena perder tempo a comentar isto :D
E lá veio o estouvado (rafeirito, parecido com um pastor alemão, mas baixote hahaha) para a nossa casa que, para ser uma completa casa de doidos, só faltava mesmo um cão... doido! (sim, a gata também não é muito sã lool).
Beijocas grandes e desculpa o testamento <3

Anónimo disse...

É verdade tudo o que escreve. Terei cães até morrer. E por cada um que se vai, lá vem outro à minha vida. E desde sempre soube que apesar de os adorar, jamais iria adotar um bebé. É uma certeza absoluta. Por tudo o que descreveu e mais ainda. Conheço muita gente que faz do cão um gato. Cães que nunca vêm à rua vivendo em apartamento. Tenho um caso no meu prédio e outro no prédio em frente Interrogo-me porque não vão buscar um gato?? E porque os mais velhos vão ficando para trás. O problema é que infelizmente há demasiados cretinos e imbecis a irem buscar bebés e animais porque sim. Parabéns pelas suas palavras.