14/01/2012

Satisfação de necessidades: 1min, vel 7, Temp 100ºC

A propósito deste post...
Parece que nos calhou nascer na geração do micro-ondas! Estamos habituados a satisfazer as nossas necessidades instantaneamente! Queremos um arroz de pato e é só por no micro-ondas 20 minutos! Já ninguém depena o pato, faz refogado, apura o arroz... 
Não gostamos do programa que estamos a ver? Muda-se para qualquer um dos 397 canais disponíveis no MEO!
Queremos comprar um frigorífico? Às 3h da manhã isso é possível, já não precisamos esperar para ir dormir e ir no dia seguinte à loja. Basta abrir o site da Worten...
Achamos que o carro já não serve? Troca-se! Não há dinheiro, mas também não faz mal! Paga-se em prestações... (embora agora já não seja tanto assim...)
E depois as coisas têm um tempo de vida estipulado. A máquina de lavar a roupa já não é fabricada para durar uma vida. O motor da mesma já vem de fábrica equipado para durar apenas 5 anos, para assim termos de a trocar. Quando compramos um carro a leasing, já sabemos à partida que o vamos trocar passados 3 ou 5 anos!
Ou seja, não estamos habituados a lutar pelas coisas! Queremos, temos! Não gostamos, trocamos! É o agora! Já! Estamos todos com pressa! E as relações, principalmente os casamentos, não podem viver na pressa. Têm uma vida inteira para ser construídos! Para serem aperfeiçoados, corrigidos, acarinhados. Para terem avarias e irem à oficina arranjar. Não é suposto trocar passados 3 ou 5 ou 20 anos! ENTENDAM ISTO PESSOAS!
E depois é a internet! Estamos sempre com os olhos postos nas gajas/os mais espectaculares, seja fisicamente, seja intelectualmente! Ficamos mais exigentes com a pessoa que está do nosso lado. Em permanente contacto com pessoas que, sem o facebook ou o msn, não encontrávamos diariamente. E isso abre portas, abre oportunidades. Cabe-nos a nós dar as boas-vindas ou não a essas oportunidades! Cabe-nos a nós dar espaço para que acidentes aconteçam. Ou então não! Ou então acreditar que o casamento, por muito boring que às vezes possa ser (todos têm fases), é o nosso! E a pessoa que está do nosso lado é a pessoa que nós escolhemos para nos dar a mão até sermos velhinhos, para ter filhos connosco e para percorrer uma estrada que poderá ter muitos buracos e  contratempos, mas não é suposto ser interrompida. A meta é a morte! E nós temos a obrigação de lutar para que essa estrada não seja interrompida a meio... 

13 comentários:

Su disse...

Ora aqui está uma grande verdade... mas as pessoas "pra frente" dos dias que correm, no mínimo conflito resolvem o assunto em três tempos. Acham que não nasceram para aturar ninguém que as incomode ou então, como já estamos numa geração em que é permitido o divórcio fácil, pensam que não faz sentido ter uma família para a vida. Isso é antiquado. O melhor é experimentar outro... pode ser que resulte ou não. Mas isso também não interessa nada.

Chego assim à conclusão que sou do mais antiquada possível, por baixo desta "capa" está uma miúda mesmo muito fora de contexto desta sociedade "experimenta,analisa e deita fora facilmente".

Rita disse...

;)conceitos "banho maria" e deixar a "marinar" perderam-se no tempo. O dia de hoje começou ontem e de amanhã já está aí à porta! As pessoas deixam que a vida voe e nada fazem para a parar porque isso faz pensar e regra geral pensar dói!

Sónia disse...

Eu gosto do banho maria como diz a Rita!
Espero que o meu casamento seja para a vida, por isso me casei. Vale a pena passar pelas fases menos boas e chegar às boas mas sempre com ele ao meu lado. Não entendo de outro modo as coisas.
Casei foi para estar com ele em todos os momentos, sejam eles quais forem, e espero que seja assim sempre!
Beijokas

Maria de Lurdes disse...

Estes tempos descartáveis realmente fazem-me confusão. Nem falo em termos de casamento, para mim é mais que claro que concordo plenamente contigo no que toca a construir um casamento, a lutar por ele nos momentos difíceis, mais do que isso, a ter interiorizada a ideia de que é para sempre, que não se luta por ele em si, porque não se quer por a hipótese de o perder, mas sim luta-se por resolver o problema, a crise, para seguir em frente.

O que me faz confusão ainda é o trocar de carro constante, ter a TV mais fina e gigante, ter a tecnologia mais sofisticada e siga siga siga, mesmo quando não se pode. Curiosamente, vejo mais pessoas que não o podem fazer a fazê-lo, do que o contrário. E isso também diz muito sobre a descartabilidade que as pessoas atribuem às coisas, com o valor que lhes dão, com a medida de consequência que dão aos actos que praticam no dia-a-dia e para a vida.
Eu cada vez me insiro mais num grupo frugal, a minha única tentação são os trapos (e só caio nessa tentação de tempos em tempos e tenho roupas com décadas de existência, guardo TUDO, volto sempre a usar daí a uns anos), mas na verdade, nem posso dizer que seja frugal, será apenas à antiga. Em que o telemóvel dura até deixar de funcionar, a televisão o mesmo e por aí em diante.

Ysa disse...

Muito bom texto... Parabéns...

Té F. disse...

Actualmente as relações, o casamento, é como a pastilha elástica: mastigar e deitar fora! Não estão para se chatear muito...
Mas ouvi noutro dia nas notícias que 2011 foi o ano em que houve menos divórcios em Portugal ;)
Beijocas, Bom fds

Kiki disse...

Té, para isso tenho uma teoria. Pode ser disparatada, mas a mim faz sentido! As pessoas não têm dinheiro para viverem sozinhas! Ou porque estão desempregadas ou porque ganham pouco (e vão ganhando cada vez menos...). Dois adultos debaixo do mesmo tecto conseguem sustentar uma casa. Um sozinho não... Principalmente se houver filhos!

Patrícia Teodoro disse...

estas a dar-lhe miúda

Rit♥Catita disse...

E as amizades? Esqueceste-te de as mencionar.
Hoje em dia também se descarta amigos com uma facilidade!
Podem ter tido momentos muitos bons juntos, podem-se intitular melhores amigos do mundo, mas às vezes basta uma atitude diferente,uma opinião contraria para se descartar amizades de anos e anos.

Kiki disse...

Tens toda a razão Rita Catita! :)
Só não fui por aí porque este post era em comentário de um outro post que falava de Guerra de Sexos e casamentos. O tema das amizades dava para um outro post com muito para dizer! ;)

Só sedas disse...

Concordo plenamente. Acho que acrecentar mais alguma coisa seria pura redundancia.

bee disse...

tenho falado tanto disto, ultimamente... mas há muita gente que acha que quando temos uma visão de longo prazo, nos estamos a acomodar (e que isso é mau). eu não acho que o acomodar, quando é a algo de que gostamos e que achamos que faz sentido, seja mau, mas às vezes sinto-me uma ave rara. por isso gostei de ler este post :-)

Kiki disse...

Obrigada Bee! :)