28/10/2013

O Bin Laden era um Bambi ao lado do meu filho!

16h...
Liga-me a educadora do Vicente. É sempre bom quando o telefone toca e é do colégio, não é?
O Vicente queixou-se de dores de cabeça ao longo do dia, esteve murcho e chamou por mim várias vezes. Acordou da sesta choramingão e a V achou melhor ligar-me. Ele dizia que tinha caído e batido com a cabeça numa mesa. Achei estranho porque eu teria dado conta caso fosse alguma coisa grave (ele teria chorado, não?) mas nunca se sabe...
Quando entrei na sala dele, estava sentado num canto com a chupeta na boca e um ar triste. Mal me viu, saltou da cadeira e veio a correr ter comigo.
- Mãeeeeeeeeeeeeeeeee!!!!!!!!!!
Não me pareceu minimamente doente ou com dores! Mas quando a V lhe disse para contar à mãe o que tinha, voltou a pôr o ar triste e uma voz de profunda mágoa.
- Dói aqui...
Ok! É melhor irmos ao hospital! Não vá ele ter mesmo batido com a cabeça sem eu ter reparado...
No carro ia a cantarolar e feliz porque eu ia deixar a irmã a casa da avó e ia ficar sozinho comigo. Tudo aquilo me cheirava a esturro. Entrámos na triagem. Mais uma vez faz voz de coitadinho à enfermeira que o examinava. 
- Então querido? Onde bateste com a cabeça?
- Foi aqui... (disse ele moribundo a apontar para a testa)
- Mas onde? Numa porta, no chão, na mesa?...
- Foi a mãe!

Boa!!! 10 pontos para o Vicente. Comecei logo a pensar se teria o número do advogado gravado no telemóvel e se a CPCJ viria directamente ao hospital retirar-me a criança ou se iriam só abrir o processo de averiguação. 
O que é certo é que a brincadeira lhe deu direito a pulseira amarela e só esperámos pouco mais de 20 minutos. Tempo suficiente para ele trepar cadeiras, falar pelos cotovelos e cravar bolachas ao menino do lado (sempre bom cravar bolachas num hospital a alguém que não fazemos ideia do que tem).
Entrou no gabinete do médico pelo próprio pé e encarnou de novo o personagem do moribundo espancado pela própria mãe. Mal a dótora (que felizmente o topou à grande) me mandou deitá-lo na cama para o ver, ele fica fascinado com a cama verde água com vidros em vez de grades e pede-me para comprar uma igual para ele. Deita-se com os braços atrás da cabeça como se estivesse a apanhar sol e pisca o olho à médica como se lhe dissesse: want a massage?

Saí do hospital com o meu pequeno taliban que conseguiu armar um plano para sair mais cedo da escola e quase enfiou a mãe na cadeia. Ainda teve tempo para me cravar umas bolachas da máquina de vending e foi para casa mostrar com orgulho a pulseira amarela que a senhora lhe deu. Se era só uma pulseira amarela que ele queria, eu podia ter feito em casa!

5 comentários:

Jo disse...

Ahahah, estás feita ;)

Kika Bártolo disse...

Lol muito bom

Mariana Barardo disse...

lololol
Adorei a forma como descreveu o episódio. Há muito que não me ria tanto.
No entanto, embora pareça "manha", nunca é demais estarmos muito atentas, claro. Se continuar, é verificar de novo... que podemos fazer?
O meu agora sempre que não quer comer diz que lhe dói a garganta e o estômago devido às quinhentas gastro que já apanhou desde que entrou no colégio. Uma das vezes tive mesmo que ir às urgências ver o que se passava. Resultado: nada para além da gastro que já tinha sido diagnosticada. Ou seja, "manha" da boa para não comer a dieta que lhe estava destinada. Só queria doces. Para isso a dor desaparecia num ápice!
E agora é o truque dele quando não comer o que está à frente porque não lhe agrada... Haja paciência.

Um beijinho e que não seja nada senão "teatro"!

Lia disse...
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Kiki - Família de 3 e 1/2 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.