16/04/2012

Casamentos, baptizados e funerais

Aqui há tempos morreu um primo do meu pai. Era um primo que o meu pai não via há 20 anos, e lá foi ele lá para cima ao enterro. Quando voltou perguntei: Então, como foi? E o meu pai respondeu: Adorei! Foi o máximo!
Primeiro o choque e a indigação, depois as gargalhadas! No fundo percebi o que o meu pai quis dizer. Infelizmente na nossa vida nunca arranjamos tempo para estar com as pessoas. "Temos de combinar qualquer coisa!" deve ser das frases mais utilizadas e, simultaneamente, mais frustradas que existem na língua portuguesa! Mas depois morre uma pessoa e lá tratamos nós de arranjar tempo para ir ao enterro. E se os enterros são coisas que não deviam acontecer (porque devíamos ser todos eternos), por outro lado são um motivo de reencontro entre as pessoas. E o meu pai acabou por rever uma parte da família que não via há 20 anos ou mais...
Foi o que aconteceu hoje! Fui a um enterro perto de Leiria... Que pena que aconteceu, tendo em conta a falta que aquela senhora que era tão adorada vai fazer às filhas e aos netos! Mas se pensarmos que se tratou de uma senhora com 94 anos que viveu em plena saúde, sem precisar de óculos, dentaduras ou aparelhos auditivos e que ainda há uma ou duas semanas passava a ferro e cozinhava, pensamos: Bolas! Que sorte! Foi tão feliz e viveu tão bem durante quase 100 anos! 
E eu, apesar de não aguentar com uma gata pelo rabo por estar estoirada, consegui (depois de muitas tentativas falhadas) estar com algumas pessoas de quem gosto tanto e, finalmente, por a conversa toda em dia!
Apesar de tudo... Adorei! 

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4 comentários:

Rabugenta disse...

por acaso foi na Batalha?

Sónia disse...

Na minha família também assim e não acho que seja mau ou falta de respeito, afinal ali reencontra-se amigos e familiares que não se vêm à muito e também se celebra uma vida que partiu. Às vezes faz bem poder rir nesses momentos de dor.
Beijinhos

Su disse...

Sem dúvida uma grande verdade Kiki...

Agora que os nossos amigos estão quase todos casados, já houve comentários do género "esperemos não nos voltarmos a ver num funeral". Seria muito triste, mas infelizmente é o que mais acontece.

Essa famosa frase "Temos que combinar qualquer coisa..." é das que mais abomino. Quando quero muito combinar alguma coisa com alguém marco de imediato e os encontros acontecem. Já para não dizer naquela que me faz imensa confusão "Apareçam quando quiserem". Sinceramente não compreendo esta. Eu não tenho por hábito aparecer em casa de ninguém sem convite, sinto que estou a ser intrusa... mais ou menos isso.

Por isso, acho que estes funerais deveriam ser tema de reflexão para todos e substituir-mos estas frases feitas com encontros e convites reais.

Beijinhos Kiki... as saudades que eu tenho de cá vir ler-te, mas o tempo está mesmo reduzido. Já faltou mais para acabar ;)

Kiki disse...

Rabugenta, não foi na Batalha. :)

Su, tens tanta razão! :)

beijinhos às 3!