24/03/2012

Pequeno apanhado de opiniões, ainda que ninguém mas tenha pedido...

Epá... Ando nervosa com os acontecimentos que têm dominado a actualidade deste nosso Portugal! Dá-me pele de galinha esta mania que as classes profissionais têm de se fechar em concha cada vez que algum cólega é acusado de alguma coisa! As pessoas têm de meter nas cabeças que boas e más pessoas há em todo o lado, em todas as profissões, raças e credos! E não é por haver um mau profissional que a classe vai toda pelo cano abaixo. Sejam eles polícias, enfermeiros, padeiros ou educadores!

Então vamos por partes...

Em relação à história do polícia que bateu na jornalista, não tomo partidos! Acho que não nos podemos guiar por uma fotografia. Uma imagem sem palavras, sem som, sem antes e depois. Não sabemos se o polícia é uma besta que resolveu dar uma bastonada à rapariga para ela sair da frente, não sabemos se o polícia estava a tentar bater no gajo que a está a agarrar porque este estava a atirar cadeiras pelo ar, não sabemos nada! O que sabemos é que houve um pequeno grupo de anarquistas que resolveram começar a atirar cadeiras pelo ar (coitado do Arrumadinho que ficou com a esplanada da Benard destruída), pratos, copos, ovos... O caos instalou-se e a polícia de choque é para isso mesmo! Para meter a ordem quando é necessário. Se os animaizinhos deitam cadeiras pelo ar e se comportam como animaizinhos, então têm de ser domados como animaizinhos e por isso, uma bastonada no lombo não me parece nada de especial! Tenho pena da jornalista, claro que tenho! Mas daí a dizer que ela é uma selvagem ou que o polícia é que é uma besta, ainda vai um bom pedaço. 
E para ser ainda mais radical e venham de lá os anónimos insultarem-me de fascista, capitalista, nazi, salazarista que é para o lado que eu durmo melhor, a minha opinião mesmo é a seguinte: Se tivessem ido trabalhar como eu fui, em vez de irem para o Chiado passear, ninguém tinha levado uma paulada na cabeça! (não a jornalista claro! Essa estava a trabalhar...)
- Ai... Mas nós somos desgraçadinhos... E a crise... E a classe política... Ai... Ai... 
Pois... Não tivessem votado duas vezes naquele cretino e não estávamos onde estamos! Eu também estou a levar com a crise, também passei a manhã a lavar e a esfregar em vez de ter dinheiro para pagar a uma sopeira e hoje ter ido almoçar a Óbidos, e não é por isso que fui para o Chiado chorar. É a trabalhar que levantamos esta merda!


E agora em relação à gigantesca polémica que se anda a abater sobre a pobre educadorazinha que canta batata frita e viva o benfica às crianças e à besta do pai que é fanático e fez queixa e o catano... Esta situação ainda me chamou mais a atenção porque eu incluo-me nas três classes! A de educadora, a de mãe e a de portista! Confesso que quando li a notícia, achei um exagero o pai ter feito queixa ao Ministério da Educação. Apesar de portista, acho que também não era preciso tanto... Até ter conhecido melhor a história! (Vejam no fim do texto)
Afinal a educadora é uma besta! Não por cantar o benfica, mas pela atitude que teve com o pai. E a discussão que eu já tive com várias educadoras que defendem a cólega de olhos fechados, com umas palas nas ventas e nem se interessam se a conduta da senhora foi correcta, ética ou pedagógica! Quando eu era educadora também brincava com os clubes. E também lhes dizia que o Porto é que era o maior, etc. Mas porque essas brincadeiras fazem parte do nosso dia-a-dia, seja em que realidade for. É da nossa cultura! E as crianças vão ser confrontadas com estas clubites até ao fim da vida, na escola, na faculdade, nos empregos, nos cafés! Mas uma coisa é dizer que o Porto ou o benfica ou o União de Leiria são os maiores, outra coisa é fazer lavagens cerebrais às crianças. Outra coisa é uma criança de 4 anos, porque é portista, ser vítima de violência por parte das outras crianças porque a educadora diz que o benfica é que é bom! Outra coisa é a cabra da educadora dizer na sala à frente de todos: Não se canta mais o Pau ao Gato porque o pai da Nicole não deixa! Outra coisa é a gaja dizer ao pai: se não gosta do benfica e da minha música, mude a sua filha de escola! E esta merda é que me deixa fora de mim! Porque estamos a falar de uma escola pública! De uma gaja que anda a tirar lugar a tantas educadoras para passar este tipo de valores às crianças. Seja ela do benfica, do porto ou do raio que a parta! E depois vem uma classe inteira de educadoras de pálas no olhos, chamar javardo ao pai e coitadinha à coleguinha! Porra!

Estou nervosa!

Para quem ainda tiver paciência, deixo a carta com a queixa do pai:
‎"Assunto: Ocorrência no JI de Santo Isidoro – Agrupamento de Escolas António Bento Franco (Ericeira) Exmo. Senhor, Considerando que a Lei de Bases do Sistema Educativo estabelece um conjunto de princípios gerais, reconhecendo o direito à liberdade de aprender e ensinar, com tolerância para com as escolhas possíveis, não podendo o Estado atribuir-se o direito de programar a educação e a cultura segundo quaisquer diretrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas; Não posso deixar de reportar, enquanto encarregado de educação, uma ocorrência no JI de Santo Isidoro, pertencente ao Agrupamento de Escolas António Bento Franco – Ericeira, solicitando que essa Direção Regional de Educação apure a verdade dos factos e atue, com todos os meios ao seu alcance, no sentido de responsabilizar os intervenientes. Assim, desde o início do presente ano letivo, diária e repetidamente, as crianças do referido estabelecimento de educação, entoam a cantiga popular “atirei o pau ao gato”, adicionando, no final, um slogan clubístico que consiste em “batata frita, viva o Benfica.” Perante isto, e em termos práticos, a minha Educanda, que simpatiza com o Porto, sente-se inibida e acossada, rejeitando até ir à escola pois os colegas, no recreio, chegavam a empurra-la por não ser simpatizante do mesmo clube. Quando tentei explicar as razões pelas quais não se deveria fomentar este tipo de comportamentos num Jardim de Infância, a Sra. Educadora apelidou-me de “fanático” e convidou-me a tirar a minha Educanda daquilo a que chamou a “sua escola,” tendo argumentado que “a maioria é benfiquista”; “a música é assim” e “em todas as escolas em Mafra cantam a música desta forma.” A partir daquele momento, as crianças foram proibidas de cantar a referida cantiga, na sua totalidade, em vez de passarem a cantá-la devidamente. Mais, a Sra. Educadora referiu na sala de atividades que ‘não cantamos porque o pai da Nicole não deixa’Nestes termos, e face à gravidade da ocorrência em si e da forma como a Sra. Educadora e a Direção do Agrupamento de Escolas diligenciaram no sentido, não da sua resolução mas da agudização da mesma, reveladora de um sentimento de impunidade e apropriação de espaço público, solicito a V. Exa. que providencie as diligências necessárias ao apuramento de responsabilidades, a fim de que situações semelhantes não se repitam Sr. Diretor, concordará comigo que se deve promover o desenvolvimento do espírito democrático e pluralista, respeitador dos outros e das suas ideias, aberto ao diálogo e à livre troca de opiniões. O que se pretende quando se promove a intolerância, o desrespeito pelas instituições e pela livre opinião? Estas práticas são um incentivo ao bullying, algo que todos pretendemos abolir dos nossos estabelecimentos de ensino. Insatisfeito com tal argumentação, dirigi-me à sede do Agrupamento de Escolas para, em conjunto com a Direção, marcar uma reunião com os restantes Encarregados de Educação e a Sra. Educadora. Nesta sequência, a Sra. Subdiretora do Agrupamento de Escolas dirigiu-se ao JI de Santo Isidoro para me pressionar a aceitar e calar, fazendo crer de que quem estava mal era eu e, sem sentido ou justificação, foi inclusivamente chamada a Guarda Nacional Republicana (GNR), como forma de intimidação"

9 comentários:

Gija disse...

Concordo em número, género e grau nas duas situações!! Eu poderia ter escrito este post!!

cris disse...

Boa tarde!

Além da má prestação da educadora e da direção do agrupamento do jardim de infância em causa, ainda fico mais indignada por ler algumas opiniões que banalizam a situação. Eu como mãe e como docente faria precisamente o mesmo que este encarregado de educação. Beijinhos.

Sara disse...

mais uma vez dou por mim a concordar com tudo o que dizes, tanto na primeira situação, como na segunda! penso exactamente assim.

e não consigo deixar de me sentir um tanto ou quanto envergonhada por, tb eu, ter tirado conclusões precipitadas em relação ao pai da criança. é o que dá n saber a história toda :/

Maria de Lurdes disse...

Em relação às duas situações não consigo apoiar uma ou outra parte porque não tenho dados. E esse muitas vezes é o problema porque fico com a opinião viciada por conhecer apenas parte da questão ou apenas uma versão da história.

Na situação da carga policial, eu ainda não sei se houve provocação ou não (há quem diga que a fotógrafa estaria a tirar fotos a centímetros do polícia, quando estavam constantemente a avisar os jornalistas e demais pessoas que se deviam manter ao largo... não sei se foi assim), se houve excesso de força ou não (cortes e nódoas negras é demasiado para quem se mete numa situação como a descrita?)se houve excesso de zelo ou mesmo entusiasmo dos polícias ou se houve provocação... Ficam as imagens muito pouco abonatórias, apesar de também haver imagens de polícias feridos, mas essas ninguém faz circular... Certo é que há polícias que gramam à brava bater, há outros que são a reencarnação do Buda, porque têm uma pachorra descomunal. E há malta que só falta darem-te um estalo para te arrancar uma reacção e muitas vezes fazem-no apenas para armar estrilho e há malta da paz que quer reivindicar os seus direitos ou trabalhar e estão no sítio errado.

Na situação da criancinha, temos a notícia e a versão do pai, falta a versão da educadora e o mais difícil de tudo, aquilo que realmente aconteceu. O pior é que há a nuance da clubite, o que deixa muito boa gente ao nível da hiena.
A ser verdade o consta da exposição do pai, a atitude da educadora foi deplorável, mas terá sido mesmo assim? O pai apenas terá presenciado a própria conversa que teve com a educadora, mais nada. Ou ele relata fielmente o que a filha de 4 anos lhe disse (com tudo o que as crianças de 4 anos têm de sinceras e não filtradas, mas com tudo o que têm de impressionáveis e sensíveis) ou então deixa a sua própria posição de pai empolar a situação (e sabemos todas que com os nossos filhos muitas vezes perdemos a objectividade), ou então puxa a brasa À sua sardinha e dramatiza um pouco a situação, clubite incluída.
É que se as coisas se passaram exactamente como o pai relata, então o caso é muito grave e o comportamento da educadora é inadmissível, mas a verdade é que eu não sei o que a educadora tem a dizer sobre isso e pior, se de facto isso aconteceu...

Em ambas as situações, espero que se esclareça tudo e não fique mais uma vez a verdade por apurar e apenas o circo mediático do costume.

Ana disse...

Pois eu como educadora acho uma estupidez ensinar a música assim aos miudos, quando eu era pequena essa musica já se cantava, era cantada pelos miudos benfiquistas que queriam provocar , nunca me foi ensinada por uma professora, desde quando é que no infantário se ensinam músicas dessas?? Ainda se fosse uma vez, por brincadeira, mas cantar a musica assim como um ritual diário , cá para mim a Educadora deve ser mais fanática que o pai.
Não precisava de ler a queixa para dar razão ao pai
E não sou do Porto, nem do Benfica, nem de nenhum clube (não gosto de futebol)

Maria João disse...

Kiki vou ser sincera, não li este post pois cheguei de 13h de trabalho e não tive capacidades:) Só te vim agradecer pelos conselhos deixados no meu blog. Percebes me sempre tão bem mulher:) Talvez por termos filhos com idades semelhantes! Vou sem dúvida lembrar-me muitas vezes das tuas palavras.
Amanhã sim, voltarei para ler o post e opinar:)
Beijos!!!

Anónimo disse...

Pelo que li, a educadora já paasou " a gaja" mas ainda não disse de sua justiça! O pai, um senhor, está indignado, tem razão, mata-se a educadora porque o pai está certo e ela afinal não passa de "uma gaja".O pai até tem a carta para o ME publicada e a "gaja" não tem nada.Logo, a razão é do pai.Bem observado o seu julgamento!

Anónimo disse...

n estou a par nem de uma coisa nem de outra, sim vivo noutro mundo e ainda bem lol
mas em relaçao à educadora, valha me qq coisa..mas agora canta-se essas tretas fanaticas nas escolas??? para mim era o suficiente paa fazer uma reclamação, n mando filhos pra escola pra isso..hehehe

e parabens miuda..apesar de seres uma beta das piores..tens principios mto bons e nota se ke es uma excelente rapariga ;)))

Full-time Mom disse...

Não tinha conhecimento deste caso. Só eles saberão ao certo o que se passa, desconfio sempre quando há duas versões da história... Bjs